FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Exclusivo: Ney Matogrosso vai gravar disco de estúdio com quatro arranjadores

Às vésperas de seus 80 anos, cantor escolheu 12 músicas, incluindo 'Sua Estupidez', 'Gita' e 'Mi Unicornio Azul' para compor um álbum de estúdio enquanto a pandemia o impede de retornar com do shows de 'Bloco na Rua'

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2021 | 10h00

Apesar de já ter sido imunizado com a primeira dose da vacina contra o coronavírus no início do mês, Ney Matogrosso segue em discrição e isolamento ou nas terras que os amigos chamam de fazenda e ele de sítio em Sampaio Correia, Saquarema, no Rio, ao lado da mãe Beíta, ou no apartamento do Leblon. Mas, como ele diz, não dá mais para “continuar olhando para o teto.” Ney quer voltar cantar, e não apenas em participações como as ótimas que tem feito durante a quarentena. A mais recente delas, que o agradou muito, se deu durante a gravação da faixa Brasil, de George Israel, Nilo Romero e Cazuza, no dia 9 de março, para um disco do pernambucanbo Almério produzido por Marcus Preto. “Todas as pessoas foram testadas e o cuidado era total. Pelo menos pudemos nos abraçar e não dar só aqueles soquinhos nas mãos, que eu acho ridículo.”

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Ney resolveu fazer um álbum de 12 músicas enquanto espera para saber o que fará com a temporada interrompida de Bloco na Rua, retirada de cena no início de 2020, com as restrições trazidas pela pandemia. Se as restrições se alongarem e levarem ainda mais tempo para a temporada retornar, ela pode nem mais existir. “Não sei, vou avaliar se fará sentido voltar com o show. Infelizmente, não consegui o retorno nem do que investi. Mas é um show que é meu, está aí e poderá ser retomado se for o caso.” 

As doze músicas do disco, que não são inéditas, serão entregues a quatro arranjadores que já trabalharam com Ney para que eles façam a produção e as formações instrumentais que quiserem. Os nomes escolhidos para trabalharem nas faixas são o pianista Leandro Braga, o tecladista Sacha Ambach, o violonista Marcelo Gonçalves e o guitarrista Ricardo Silveira. Ney depurou as canções ouvindo-as por meses até chegar à sua coleção. Ricardo Silveira vai produzir Quase Um Segundo, de Herbert Vianna; Xique-Xique, de Tom Zé e Zé Miguel Wisnik; e Se Não For Amor, Eu Cegue, de Lula Queiroga. Sacha ficou com Boca, de Felipe Rocha, que Ney gravou com o irmão do autor, Rafael Rocha; Mi Unicornio Azul, do cubano Silvio Rodriguez; e Estranha Toada, de Martins e PC Silva. Marcelo Gonçalves vai cuidar de Sei dos Caminhos, de Alice Ruiz e Itamar Assumpção; Nu Com a Minha Música, de Caetano Veloso; e Sua Estupidez, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. E Leandro Braga fará os arranjos de Espumas Ao Vento, de Accioly Neto; Noturno, de Vitor Ramil; e Gita, de Raul Seixas e Paulo Coelho. O projeto é raro, um momento em que Ney entrega uma produção para quatro cabeças diferentes. “Mas conheço bem cada um deles e eles me conhecem.” Poderia ser uma homenagem aos seus arranjadores do coração? “Não tem essa conotação, até porque será muito bom para mim também.”

 

 

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