Ney Matogrosso, no palco e nas livrarias

Do início da carreira, na década de 70, até 12 anos atrás, o fotógrafo oficial de Ney Matogrosso foi Luiz Fernando Fonseca, que o retratou para a capa de seis discos e registrou sua intimidade no camarim e entre amigos. "Ele ajudou a definir minha imagem, pois com outro eu não teria me exposto tão radicalmente nem burilado tanto esse lado", confessa o cantor, que reuniu as melhores fotografias no livro Ousar Ser, a ser lançado com um show neste fim de semana e no próximo, no Directv Music Hall, e em noite de autógrafo, na quinta-feira, na choperia do Sesc Pompéia. "A idéia é mostrar ao público de hoje o grande fotógrafo que Luiz Fernando foi."Apesar da vontade antiga, não foi fácil fazer o livro chegar ao público. Após a morte de Luiz Fernando, em 1990, Ney e a viúva do fotógrafo, a compositora Luli, elaboraram o projeto, que era caro, pois previa impressão em cores. Só no início deste ano, o escritor e artista plástico Bené Fonteles, que já havia feito um livro semelhante sobre Gilberto Gil, entrou na história, escreveu o texto e trouxe apoios para baratear o livro. "Não entro na intimidade pessoal de Ney, mas busco seu lado espiritual e criativo", explica Fonteles que, através da Imprensa Oficial de São Paulo e do Sesc, conseguiu baixar o preço do livro para R$ 60,00, incluindo um disco com músicas de Cartola."Como sou cantor, era preciso ter música também e Cartola deve ser ouvido para que os brasileiros se orgulhem da música que têm", diz Ney. O problema é que o livro só ficou pronto agora, enquanto o disco (também vendido separadamente) e os shows de lançamento no Rio e São Paulo aconteceram no primeiro semestre, sempre com casas lotadas e pedidos de novas datas. "O disco vende muito rápido e, com o sucesso de Cartola, tive de interromper a carreira do show Batuque, baseado no CD do ano passado. Mas estou adorando alternar os dois espetáculos, pois enquanto Cartola exige muito, as músicas de Batuque, dos anos 30 e 40, me deixam mais solto."Misturando textos e fotos coloridas e em preto-e-branco, Ousar Ser é a biografia que Ney ficou devendo, já que a publicada na década passada mal chegou às lojas antes de a editora fechar. Ele conta que sua primeira inclinação foi para o desenho, duramente combatida pelo pai. "Depois que comecei a cantar não quis mais me expressar no papel, ou melhor, essa expressão veio na forma de me vestir, me comportar em cena e na concepção de meus shows", conta Ney, que expõe essa evolução no livro.Ney Matogrosso - Sex. e sáb., às 22 horas; e dom., às 20 horas. De R$ 20 a R$ 80. DirecTV Music Hall Avenida dos Jamaris, 213, tel.: 5643-2500 ou 6846-6000. Até 18/8. E lançamento do livro Ousar Ser. De Bené Fonteles, com fotos de Luiz Fernando Borges da Fonseca, editado pela Imprensa Oficial do Estado e Sesc. 278 páginas. R$ 60. Quinta, a partir das 20 horas. Choperia do Sesc Pompéia, Rua Clélia, 93, tel.: 3871-7700.

Agencia Estado,

09 de agosto de 2002 | 11h05

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