Ney Matogrosso interpreta Cazuza no Sesc Pompéia

No bem-sucedido show Canto em Qualquer Canto (que volta ao cartaz nos dias 23 e 24 no Tom Brasil Nações Unidas), os fãs viviam pedindo a Ney Matogrosso para cantar Poema, que a princípio não constava do roteiro. Foram atendidos. Agora, para quem quiser saciar logo a vontade, ele também vai interpretar a canção nos três shows da série Obra Viva, que o Sesc Pompéia dedica ao compositor Cazuza (1958-1990), desta sexta-feira até domingo.Graças à bela melodia composta por Roberto Frejat sobre letra deixada por Cazuza, Poema juntou-se a outros grandes sucessos dele no repertório de Ney. Seus dois registros, um em estúdio e outro ao vivo, são arrebatadores. "Procurei preservar o aspecto da gravação original, de maneira a ressaltar o que já estava bom", diz o pianista e tecladista Emílio Carrera. Integrante da primeira formação do grupo Secos & Molhados, do qual Ney saiu para carreira-solo vitoriosa, é ele quem assina a direção musical deste show.Ney vai interpretar só mais três: Pro Dia Nascer Feliz, Por Que a Gente É Assim? (ambas também gravadas por ele) e O Tempo não Pára, que considera sua obra-prima. O violonista Pedro Jóia, integrante da banda que vem acompanhando o cantor, participa destas quatro canções. "Se Cazuza tivesse feito só três canções - O Tempo não Pára, Brasil e Blues da Piedade - já seria suficiente para entrar para a história", diz Ney, que teve relação íntima com o compositor e contribuiu para impulsionar a carreira de seu grupo Barão Vermelho depois de ter gravado Pro Dia Nascer Feliz. Além disso, foi ele quem dirigiu o último show de Cazuza. Para Ney, seu pensamento foi muito importante no rock da década de 80. "Ele sempre foi muito explícito, colocava o dedo na ferida. Não esperaria essa consciência de um menino rico de classe média alta", avalia. "Esse é o grande lance do Cazuza."Outros hits como Brasil, Exagerado, Bete Balanço, Faz Parte do Meu Show, Codinome Beija-Flor e Ideologia serão divididos entre os cantores Moisés Santana, Andrea Marquee e Lupa Mabuze. Além de Carrera nos teclados eletrônicos e no piano acústico, os cantores serão acompanhados por uma banda formada por baixo, guitarra, bateria, percussão, violino e sax. "A música do Cazuza ficou na história e, mergulhando mais fundo nela por conta desse projeto, isso fica cada vez mais claro para mim. Ele é o grande poeta do rock. Nos novos arranjos procurei preservar aquela energia roqueira que ele tinha, e que, naturalmente, aparece atualizada", diz o pianista. "Não se trata de cover. Optei por fazer com que os músicos mostrem sua criatividade." Projeto Obra Viva - Homenagem a Cazuza. 90 min. 12 anos. Teatro do Sesc Pompéia (344 lug.). Rua Clélia, 93, 3871-7700. Hoje e amanhã,21 h; dom., 18 h. R$ 10 a R$ 25

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.