Ney leva o CD "Batuque" ao palco

Logo depois do carnaval, Ney Matogrosso lançou Batuque, com canções dos anos 30 e 40, a era de ouro da música brasileira, vestidas com arranjos de época emoldurando sua voz brejeira. O disco foi aplaudido, mas demorou a chegar às lojas. Agora, virou show, com o mesmo nome, que estréia na sexta-feira, no ATL Hall, para uma temporada de dois fins de semana. A produção traz a grife de Ney, com cenários e luz desenhados por ele e figurino de Ocimar Versolato. "É extravagante, embora sóbrio, mas erótico porque é todo preto", adianta ele.O repertório tem as canções do disco e outras que não couberam, como Batuque na Cozinha e Barco Negro. Ney não inclui seus sucessos para se ater ao período focado, desde o cenário, que segundo ele, "lembra o teatro de revista". Os arranjos são acústicos e Ney sente-se completamente à vontade cantando esse repertório. "Eu conhecia essas canções sem saber por que as ouvi desde criança", comenta o cantor. "Mas não faço um espetáculo de época de resgate, porque essas música não se perderam. Estão à disposição de quem as quiser cantar e gravar."Apesar de não ter ainda dados sobre o desempenho do disco, Ney confia no show Batuque. Tanto que já tem agenda cheia até o fim do ano (estará em São Paulo, no Credicard Hall, no fim de julho) e grava um DVD para ser lançado no segundo semestre. "Graças a Deus, não dependo de disco para viver. O dinheiro que ganho não vem daí e, embora prefira ver o disco nas lojas, não é fundamental para minha sobrevivência", filosofa Ney. "Já o show é importante, porque não me canso de estar no palco e posso estar exausto, enfastiado, mas na hora que começo, me envolvo totalmente."Batuque pretende funcionar também como uma roda de samba, em que o repertório do disco é cantado por gente de toda idade. Quando gravou, Ney buscou arranjos (de Leandro Braga e Rogério Souza, no Nó em Pingo d´Água) dançantes, mas garante que não visou a ser tocado em gafieiras e festas. "Pensei em mim, em quanto gosto de dançar. Os arranjos agora são praticamente os mesmos, embora cada músico tenha seu espaço de improviso", adianta. Quem gosta dele cantando esses sucessos antigos deve aproveitar esse show. Ney não vai gravar um Batuque ao Vivo nem voltar ao passado (ou trazê-lo ao presente) de novo. "Não faz sentido. Tudo que fiz no estúdio está no palco. É lá que meu trabalho amadurece, pois na estréia estou experimentando, três dias depois o espetáculo está pronto e em uma semana começa a rodar."

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