Julianne Prado
Julianne Prado

Nevilton lança ‘Adiante’, primeiro disco após hiato de quatro anos

Banda prova que todo fim é recomeço e investiga a passagem do tempo no novo álbum, que será apresentado em São Paulo

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

02 Janeiro 2018 | 06h00

Das certezas mais primitivas, está o entendimento de que a vida é cíclica. Sol vai e vem. Lua chega e se despede. O contemporâneo tornou as relações mais frágeis, é verdade, mas a vida segue o mesmo ritmo. Fins e começos. Adiante é o primeiro disco lançado por Nevilton, a banda liderada por Nevilton de Alencar, em quatro anos. O fim de um hiato. E o recomeço de uma jornada que garantiu ao rapaz de Umuarana, no noroeste do Paraná, duas indicações ao Grammy Latino e reconhecimento, na última virada de década, como um dos nomes mais interessantes do novo indie nacional. O show de estreia será no domingo, 7, no Sesc Interlagos. 

“Tudo o que eu queria é que todo esse tempo para um próximo disco fosse apenas ‘pressão para fazer um disco ainda melhor”, escreve ele, em um texto publicado no site, e segue, “alguma loucura de superação, bloqueio criativo, crise com estilo de vida e autocontrole nessa vida maluca.” Decreta, por fim: “Mas não foi nada disso”.

O que tragou Nevilton foi o próprio furacão do tempo do hoje. É o tal corre. É o relógio que não para. Quatro anos parecem, às vezes, ser um só. Com a saída do baterista Éder Chapolla, logo após as gravações de Sacode!, de 2013, o power trio Nevilton se tornou um duo formado pelo guitarrista e vocalista que dá nome ao grupo e o baixista Tiago Lobão. Seguiram com shows por festivais independentes, alternando-se de formação.

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Com Adiante, ele e Tiago Lobão se juntam ao baterista André Dea para estudar a passagem do tempo, principalmente, a nossa relação com o relógio que teima em correr. Às vezes pro bem. Às vezes pro mal. “Todo fim é um novo começo, mas eu não peço para recomeçar/ Quando é difícil é que me reconheço / Sei cada passo que tive que dar / Se todo fim é um novo começo / Eu nunca peço para recomeçar”, canta Nevilton em Todo Fim, uma canção de pouco mais de um minuto de duração, responsável por abrir Adiante.

Com Lua e Sol – mais uma referência temporal, veja só – e Amarela, Nevilton e banda escancaram esse diálogo entre o amor e o tempo, às vezes angustiante. Adiante, o disco, começa com a música chamada Todo Fim. E chega ao fim com Novo Começo. Todo fim é um recomeço, afinal. Nevilton entendeu isso. 

 

Está tudo ali no cartão de visitas, uma mensagem ancorada em guitarras distorcidas. E Nevilton, a banda, tem a capacidade de unir o peso do instrumento com a candura nos versos. É quando acertam no alvo. 

NEVILTON

Sesc Interlagos

Av. Manuel Alves Soares, 1.100, Parque Colonial, tel. 5662-9500. 

Dia 7/1 (dom.), às 16h. Grátis.

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