Neschling volta à regência da Osesp

Um concerto composto por peças que mostram a busca pela reprodução de um ambiente nacional, na visão de diferentes compositores, marca a volta do maestro John Neschling ao pódio da Orquestra Sinfônica do Estado, grupo que ele dirige desde 1997. As obras escolhidas para o concerto desta quinta-feira, com repetição no sábado, exploram o repertório do poema sinfônico do início do século, fora do campo alemão onde Strauss se sobressai como compositor do gênero. Na primeira parte, o grupo interpreta Finlândia op. 26, do francês Jean Sibelius, e a Suíte Ibéria, do espanhol Isaac Albéniz.Após o intervalo, a peça La Valse, de Ravel, interpretada recentemente pela Orquestra Filarmônica de Berlim em sua primeira visita a São Paulo, antecede a execução de I Pini di Roma, do italiano Ottorino Respighi. "Além de quatro peças expressivas do repertório de poema sinfônico, as obras escolhidas primam, também, pela presença de grandes arranjadores", indica o maestro Neschling. Além disso, as obras selecionadas traçam certo panorama da produção musical do início do século 20: todas elas foram compostas em um intervalo de pouco mais de 20 anos, entre 1900 e 1923.Nacionalismo - Sibelius, Ravel, Albéniz e Respighi procuraram, de certa forma, recriar o sentimento nacionalista por meio da criação de um universo sonoro que dê a idéia do ambiente nacional. "Cada um com suas características, esses compositores souberam encontrar o sentimento e a idéia de nação", explica Neschling.Sibelius compôs Finlândia num momento em que seu país ainda era uma província russa. O compositor começou a trabalhar na peça em 1899, quando os primeiros movimentos pela independência estavam surgindo na Finlândia - uma luta pela liberdade política e pelo direito à preservação de sua cultura.A Suíte Ibéria foi originalmente composta por Albéniz em quatro partes para piano, entre 1906 e 1909. Nessa época, ela já havia encontrado o estudioso Felipe Pedrell, que o incentivou a introduzir em suas composições temas folclóricos espanhóis.Ravel concebeu o poema coreográfico La Valse como uma homenagem às valsas vienenses, em especial de Strauss. Composta entre os anos de 1919 e 1920, a peça foi encomendada pelo empresário Diaghilev como um balé. A peça foi descrita por Ravel como "um tipo de apoteose da valsa vienense unida a uma impressão de fantástica transformação do destino". Diaghilev, no entanto, quando ouviu pela primeira vez a peça, afirmou que seria impossível compor uma coreografia para aquela música.Pianista aclamado, Ottorino Respighi estudou orquestração com Nikolai Rimsky-Korsakov. Conhecida como a Trilogia Romântica, a peça I Pini di Roma, composta em 1923, fala, de início, sobre crianças que brincam em Vila Borghese. O movimento seguinte muda de clima, indo para as imediações de um cemitério, em um efeito que tem como intenção a lembrança dos mártires cristãos. Daí, para um ambiente em que o perfume da noite se mistura com o som de rouxinóis. Por fim, o compositor volta-se, mais uma vez, para o passado do Impéro Romano, evocando a luta dos legionários.As peças do programa fazem parte do repertório de grandes orquestras do mundo e foram responsáveis pela consagração de seus compositores. No entanto, dificilmente aparecem em salas de concerto brasileiras. "Seguimos com nossa proposta de trazer ao público paulistano obras pouco executadas por aqui", diz Neschling.Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo - Regência de John Neschling. Quinta, às 21 horas; sábado, às 16h30. De R$ 10,00 a R$ 30,00. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, tel. 3337-5414.

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