Nem raiva nem vodu param o Nickelback

Baixista da banda, que vem ao Brasil para o Rock in Rio, fala dos fãs que adoram odiá-los e do novo CD

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2013 | 20h49

Poucas bandas são tão odiadas quanto o grupo canadense Nickelback, o que parece um contrassenso: também existem poucas bandas no mundo que emplacaram tantos sucessos nas paradas do mundo todo desde o ano 2000 quanto o Nickelback. Seu quinto álbum de estúdio, All the Right Reasons (2005), vendeu mais de 11 milhões de cópias. Foram indicados 28 vezes para o Juno Award, e ganharam 12. Estiveram seis vezes entre os finalistas do Grammy, ganharam dois American Music Awards e seis prêmios da Billboard.

A consagração pública, no entanto, nunca diminuiu a crítica ácida. Em 2002, o guitarrista Alex Lifeson, do Rush, também canadense, disse: “A MTV é sempre o mesmo Nickelback, é moda e pose, é música comercial”. Pela primeira vez no Brasil como atração do Rock in Rio na sexta, dia 20 (também abrirá o show do Bon Jovi em São Paulo, no dia 21), o Nickelback saberá o que é mais forte deste lado do mundo: a idolatria ou a raiva.

"Essa coisa de odiar intensamente está em crescimento, é um tipo de fenômeno. Mais e mais pessoas se comunicam pela internet, e isso se torna uma espécie de vício, faz muita gente se sentir mais importante”, disse na semana passada, em entrevista ao Estado, o baixista do Nickelback, Mike Kroeger.

“Mas eu acho que isso é OK, está tudo bem. Ninguém tem de gostar por obrigação, pode perfeitamente não ouvir. Acredito que isso é algo que sempre tem a ver com coisas que fazem muito sucesso. O Bon Jovi enfrentou isso. O Metallica enfrentou isso. Só que ninguém imaginava o quão sólido e duradouro seria o som deles. Para nós, isso são coisas que acontecem. No começo, esse tipo de coisa nos chateava. Éramos desconhecidos, então era mais violento. Hoje mudou. Quando você se torna um sucesso, os detratores mudam”, diz Kroeger.

O Nickelback começou como um empreendimento familiar em Hanna, Albert, em meados dos anos 1990. Mike Kroeger é irmão de Chad Kroeger, o vocalista, guitarrista e compositor da banda(e que é, desde julho, marido da compatriota Avril Lavigne). O primeiro baterista também era irmão, Brando Kroeger (substituído depois por Daniel Adair).

É Daniel Adair quem conta uma história engraçada sobre os “haters” que atacam a banda. Ele diz que estava em um ginásio de esportes quando um homem o parou e perguntou se era ele o baterista do Nickelback. Ao gesto afirmativo, o sujeito disse: “Eu queria dizer que sou fã da sua banda, tenho todos os seus discos e estou indo ao seu show esta noite. Você conseguiria me explicar uma coisa? Por que dez dos meus amigos mais próximos dizem que odeiam seu grupo? Sei que oito deles compraram ingressos para o show e seis deles compraram seus últimos três discos, mas ainda assim eles insistem em me dizer que odeiam vocês!”.

Mike Kroeger diz que o Nickelback, cujo último disco saiu em 2011 (Here and Now), já está com quatro canções novas gravadas para o disco que pretendem lançar talvez no próximo ano. Nos últimos dois meses, produziram duas canções novas, mas Kroeger não arrisca dizer qual será o novo pulo do grupo. “Não há um cálculo real de que direção seguiremos. Chad compõe as músicas e a gente as trabalha no estúdio. Às vezes, pode soar como rock clássico, como Def Leppard, porque sempre prevalece aquela música que nós crescemos ouvindo. Mas é o som que a gente curte fazer, nunca vai ser diferente.”

Ele disse que vai ser interessante estar em São Paulo abrindo o show do Bon Jovi porque já fizeram isso na Europa muitos anos atrás e se tornaram grandes amigos, e aposta que será a repetição de algo que já deu certo. “As outras bandas nos respeitam”, afirmou.

Hitmakers de grandes acertos, eles tornaram a canção How You Remind Me uma das mais tocadas do mundo na metade da década passada. Mas não ficaram só em um hit: Savin’ Me, Rockstar, Photograph, Fall Away e If Everyone Cared tocaram mais do que surdo no carnaval baiano.

Mike Kroeger estava trabalhando e não viu a recente entrega dos Video Music Awards, mas comentou com ironia a “polêmica” sobre a dança de Miley Cyrus (que simulou sexo com um parceiro). “Acho isso tudo absolutamente hilário. Afinal de contas, qual é exatamente o problema?”.

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