FOTO NIELS ANDREAS/AE
FOTO NIELS ANDREAS/AE

'Nelson Freire representava e representa uma outra face do Brasil', diz João Moreira Salles

Em depoimento ao Estadão, cineasta disse que Nelson "encarnava valores de um humanismo essencial a todo projeto de civilização decente"

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2021 | 13h13

O pianista Nelson Freire morreu na madrugada desta segunda-feira, dia 1º, aos 77 anos. Como legado, deixou um trabalho celebrado por seus pares, pela crítica especializada e pelo público. Também teve sua história registrada no documentário Nelson Freire, de 2003, de João Moreira Salles. Disponível no serviço de streaming Globoplay, o longa-metragem acompanha a rotina de turnês e a memória dos primeiros acordes ao piano.

"Os documentários que eu vinha fazendo até então tratavam de desordem, de violência e de desagregação. Tive vontade de filmar o contrário daquilo e Nelson foi o caminho", conta João Moreira Salles em depoimento enviado ao Estadão.

No filme, há momentos com Nelson Freire filmados em São Paulo, no Rio de Janeiro, na França, na Bélgica e até mesmo na Rússia — são mais de 70 horas de material gravado depois de João acompanhar o pianista por dois anos. 

A seguir, confira o depoimento completo de João Moreira Salles enviado ao Estadão.

"Os documentários que eu vinha fazendo até então tratavam de desordem, de violência e de desagregação. Tive vontade de filmar o contrário daquilo e Nelson foi o caminho. Ele encarnava valores de um humanismo essencial a todo projeto de civilização decente —a transmissão da beleza, o imperativo moral do trabalho bem feito, a recusa de toda vulgaridade e espalhafato. Um presidente que tira a máscara de um bebê e força uma criança a fazer uma arma com as mãos é uma imagem verdadeira e poderosa do país. Mas não é a única. Nelson Freire, o pianista, não o filme, representava e representa — nos discos, nos registros dos concertos, na vida discreta que levou — uma outra face do Brasil, o lado capaz de nos salvar. Seu talento não está ao alcance de maioria de nós, mas a decência, sim.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.