Vitor Salgado
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Nelson Freire passará por cirurgia no final da tarde; entenda o caso do pianista

Recitais e concertos marcados até o final deste ano já foram cancelados; músico vai ficar afastado dos palcos por dois meses

João Luiz Sampaio, O Estado de S. Paulo

31 de outubro de 2019 | 13h57

O pianista Nelson Freire passará no final da tarde de hoje, dia 31, por uma cirurgia no braço direito. Ele sofreu uma queda na manhã de ontem ao tropeçar em pedras soltas no calçadão da Barra da Tijuca. Freire foi hospitalizado ainda ontem. Segundo amigos que estiveram com ele no hospital, o pianista “está bem, sem dor e calmo”.

Segundo Rosana Martins, amiga pessoal do pianista, Freire está “em bom espírito”. Ela conta que o músico, quando está no Rio, tem o hábito de caminhar quatro quilômetros pelo calçadão antes do café da manhã. “Ele sempre toma cuidado, mas ontem tropeçou em uma pedra solta perto do Posto 3 e caiu. Ele caiu de rosto pois tentou proteger as mãos. E acabou fraturando o úmero”, explica. O pianista foi socorrido por três salva-vidas e levado para o hospital.

Martins afirma que a previsão é de que a cirurgia, prevista para as 18 horas, demore cerca de quatro horas. Segundo elas, o prognóstico é bom e os médicos acreditam na recuperação completa do artista. 

De acordo com a assessoria do artista, ele quebrou o úmero na região próxima ao ombro, e a expectativa é de que ele fique dois meses fora dos palcos – seus recitais e concertos marcados até o final do ano já foram cancelados, entre eles as apresentações que faria na semana que vem na Sala São Paulo, para comemorar os seus 75 anos de vida, os 60 anos de carreira e encerrar a temporada da Cultura Artística.

Ortopedistas ouvidos pelo Estado explicam que, em casos localizados na região próxima ao ombro, o mais comum é a fratura da cabeça do úmero. “O úmero é um osso que vai do cotovelo ao ombro, seria o correspondente ao fêmur na perna”, explica o doutor José Fernando Carneiro. “A cirurgia costuma ser feita, no caso de fraturas na cabeça do úmero, para grudar essas partes, utilizando uma placa.”

Para o doutor Ricardo Munir Nahas, ortopedista e vice-presidente da Confederação Sulamericana de Medicina Esportiva, a cirurgia nesses casos é um “procedimento comum”. “A recuperação depende do paciente. Mas, normalmente, de quatro a seis semanas temos o que se chama de alta ortopédica, começando então um período de estimulação de movimentos por meio de fisioterapia”, explica.

Para Carneiro, o problema de fraturas como essas é a rigidez do movimento. “Antigamente, se resolvia a fratura com a imobilização por meio de gesso. Mas a cirurgia permite uma recuperação mais rápida, com o início mais rápido da estimulação dos movimentos, para que não haja perdas nem na força nem na amplitude.”

Segundo ele, a fratura na região próxima ao ombro praticamente exclui danos nos nervos. “Quando a fratura é no meio do osso, o risco é maior, o que seria um problema naturalmente grande para um pianista”, explica.

 

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