Daniel Proztner/Divulgação
Daniel Proztner/Divulgação

Natura Musical reúne novos expoentes e medalhões que não pararam no tempo

Terceira edição do evento faz plateia cantar, sacolejar e se emocionar

Lauro Lisboa Garcia - Especial para o Estado - Belo Horizonte, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2013 | 19h36

Para calar os desinformados que insistem em dizer que a música brasileira vai mal (baseados no que predomina no rádio e na TV), Belo Horizonte tem uma boa justificativa. Com novos expoentes e medalhões que não pararam no tempo, o festival Natura Musical, em sua terceira edição na capital mineira, reuniu mais de 45 mil pessoas em duas praças, que acompanharam os shows com entusiasmo e conhecimento de causa exemplares.

Sem grandes nomes como Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Paralamas do Sucesso, atrações da Praça da Estação – que abrigou mais de 30 mil pessoas, por mais de 10 horas – talvez não tivesse tanta repercussão. Seria mais um dos muitos (bons) festivais independentes. Porém, além de revelar talentos em ascensão como a cantora paraense Lia Sophia, que fez a plateia sacolejar ao som de irresistíveis ritmos regionais, e o grupo de rock-jazz-samba instrumental mineiro Dibigode, o festival se propõe a também dar oportunidade de o público ver seus ídolos com shows recheados de hits para cantar junto, numa grande comunhão. Tudo de graça.

Foi assim na calorosa apresentação dos Paralamas, que continuam em plena forma, celebrando 30 anos de carreira. Hits como Óculos, Lanterna dos Afogados, Meu Erro, Uma Brasileira e Ela Disse Adeus incendiaram a praça e chegaram até a arrancar lágrimas de jovens e velhos fãs. Paulinho da Viola veio em seguida, mas foi prejudicado pelo som. Mesmo assim, manteve a elegância, cantando clássicos que mexeram com a grande comunidade do samba de Belo Horizonte. Na parte final, com o som um pouco melhor, veio a catarse com Monarco e a Velha Guarda da Portela.

Caetano fez show semelhante ao apresentado no carnaval do Recife, em que, com a Banda Cê, mesclou canções do novo álbum, Abraçaço, com clássicos como Sampa, Terra, Luz do Sol e Desde Que o Samba É Samba. Ele também abriu espaço para o grupo carioca Trio Preto + 1, que deu um show à parte com solos de pandeiros e o acompanhou num belo medley de sambas de Dona Ivone Lara.

A Praça Duque de Caxias, no bairro de Santa Teresa, concentrou maior número de artistas já contemplados pelo edital da Natura Musical: Lenine, Tulipa Ruiz, Marcelo Jeneci, Russo Passopusso (que participou do show de Lenis Rino). A festa começou cedo com o lúdico grupo paulistano Barbatuques apresentando seu projeto infantil de manhã. Em shows dinâmicos e elogiados, Tulipa e Jeneci já são capazes de segurar grandes plateias, ambos com um espantoso crescimento de público em carreiras paralelas de poucos anos para cá.

Numa enquete no portal da Natura, Caetano era o primeiro e Lenine o segundo mais citado. E nenhum decepcionou. Segundo Karen Cavalcanti, gerente de marketing institucional da Natura, Belo Horizonte foi escolhida para sediar o festival pela relação que o programa tem com a cidade, desde que criou seu edital. “Entendemos que o programa precisava de um novo fôlego e criamos o festival.” Vale ressaltar, que o público mineiro, respeitoso e receptivo a novidades, colabora em muito para o sucesso do festival.

ALTOS E BAIXOS

Caetano Veloso: Com shows recheados de hits, compositor e banda fizeram os shows mais concorridos

Paulinho da Viola: Mesmo prejudicado por problemas de som, emocionou o público com seus sambas clássicos

O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA ORGANIZAÇÃO DO EVENTO

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