Beto Gatti
Beto Gatti

Natiruts lança disco de inéditas depois de 8 anos

As 11 faixas do álbum 'Índigo Cristal' falam sobre positividade e o seguir em frente em meio ao caos

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2017 | 06h02

Os acordes iniciais de Sol do Meu Amanhecer, primeiro single de Índigo Cristal, novo disco do Natiruts, surgem de forma leve e serena. Lembram, em algum momento, um clássico da música popular brasileira. O dedilhado das guitarras também camuflam a força do reggae consagrado que já é feito há 21 anos. 

O sétimo trabalho de estúdio do grupo brasiliense liderado pelo vocalista Alexandre Carlo externa não só a força do gênero musical em questão, mas a heterogeneidade de uma banda que aprendeu a absorver diferentes ritmos radiofônicos em suas composições. “Somos considerados regueiros no Brasil, mas fora, onde os jamaicanos autênticos sempre fazem shows, somos vistos como artistas de música brasileira ou de world music, porque as misturas, inovações melódicas, rítmicas e harmônicas que propomos nas canções acabam nos diferenciando do reggae feito na Jamaica”, afirma Alexandre em entrevista ao Estado

Depois de 8 anos sem um disco de inéditas, o Natiruts volta à ativa com Índigo Cristal. A essência do trabalho gira em torno da positividade e o seguir em frente em meio ao caos social. Com letras que falam sobre amor, o Natiruts se tornou uma banda mais madura e consciente da sonoridade que é capaz de produzir. “Depois da morte, amigo, tudo se resume a energia: positiva ou negativa. Quando você percebe isso, começa a se perguntar a quem interessa todo esse caos. Se você olha para o tanto de estrelas lá em cima e acha que a única coisa que pode mudar sua vida é um Congresso, fica muito complicado achar uma saída. Na verdade, essa é a verdadeira prisão”, filosofa Alexandre.

Em Raçaman (2009), o Natiruts já dava sinais de amadurecimento. Letras mais críticas como Fogueira de Desilusões e Vento, Sol Coração externavam tal conceito. No novo álbum, inteiramente gravado no estúdio da Zeroneutro, agência da qual Alexandre Carlo é sócio, em Brasília, algumas composições dão continuidade a essa linha contundente e natureba. 

Os destaques são A Justiça Falha e Desculpe Doutor. “Nós nos tornamos experientes, sensatos e maduros. O mais importante sobre as verdades do País, que jamais haviam sido tão escancaradas, é a oportunidade do povo em ver que os problemas do Brasil não são só reflexos das mazelas da colonização ou do imperialismo norte-americano, como costumávamos bradar em tempos passados. Os ladrões estão aqui, de terno e gravata, eleitos por todos nós”, conclui ele.

Apesar das canções mais críticas, grande parte das faixas do trabalho não perdeu seu DNA Natiruts. Canção Pro Vento e Eu Quero Demais mantêm o legado. “Muitas coisas permanecem as mesmas. Só escutando para sacar”, acrescenta.

Banda faz turnê pela América e show em São Paulo

Após o lançamento de Índigo Cristal, a banda viajou pela América do Sul para uma miniturnê. O Natiruts tocou em países como Argentina, Uruguai e Chile. A banda também fez dois shows no México no final de agosto, algo, até então, inédito para Alexandre Carlo, Luís Mauricio e Kiko Peres. Eles se apresentaram na capital, na Cidade do México, e em Guadalajara. “O público que acompanha a banda pelo mundo entende a proposta do Natiruts e não carrega a necessidade de querer espelhar no nosso grupo artistas como Bob Marley, Peter Tosh e outros ícones do reggae. De todos os lugares, o único que ainda não tínhamos visitado era o México, um país imensamente populoso e importante para cultura indígena latino-africana e onde grupos como U2 já gravaram DVD. Existe uma relevância no que a opinião mexicana representa no México e nos Estados Unidos. Estamos muito felizes que a nossa música tenha despertado tamanho interesse a ponto de pedirem duas apresentações por lá”, afirma Alexandre. 

O show de lançamento em São Paulo será no Espaço das Américas, na zona oeste da capital paulista, no dia 21 de outubro. Os ingressos custam entre R$ 50 e R$ 100.

Tempo para criar. O Natiruts ficou oito anos sem lançar nada inédito. Nesse meio tempo, entretanto, produziram, ao todo, três DVDs ao vivo: Acústico no Rio de Janeiro (2012), #NoFilter (2014) e Reggae Brasil (2015). “Sentíamos a necessidade de revisitar a nossa história até aquele momento, porém, em outros formatos. Aproveitamos também para trabalhar em releituras de artistas que nos inspiram, como Luiz Melodia, Os Paralamas do Sucesso e Djavan. Além disso, esse tempo foi importante para vivenciarmos novas experiências e trazê-las para o universo das canções inéditas”, acrescenta Alexandre.

FAIXAS DO DISCO

Na Positiva

Caminhando Eu Vou

Sol do Meu Amanhecer

Dois Planetas

Eu Quero Demais

Pode Crer

Que Bom Você de Volta

A Justiça Falha

Desculpe Doutor

Canção pro Vento

Índigo Cristal

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.