Julia Rodrigues
Julia Rodrigues

Natália Matos e as doses inegáveis de amor do seu segundo disco

Artista de 29 anos mergulha nos próprios sentimentos para dar vida ao segundo álbum, que estreia amanhã, no Centro Cultural São Paulo

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

18 Abril 2018 | 06h00

Sem “saber canções de amor”, Natália Matos fez do seu segundo disco de carreira um ato político. Com o amor, em tempos áridos e polares, ela se esparrama ao longo de dez canções, distribuídas em 36 minutos, pelo sentimento responsável por unir – uma ou mais pessoas.

Não Sei Fazer Canção de Amor, o disco, tem um título irônico e, ao mesmo tempo, convidativo. Será que a paraense de 29 anos realmente não sabe fazer uma música que toque diretamente no coração? 

Com cinco faixas assinadas por Natália, quatro em parceria e uma regravação, o sucessor de Natália Matos, disco que saiu com o auxílio do edital da Natura Musical em 2014, funciona como um cafuné debaixo das cobertas aconchegantes naquelas noites de vento cortante que teima em entrar pelas frestas da janela do quarto. 

“O título é, na verdade, um questionamento”, explica a artista, “porque estamos, como artistas, sempre nessa dúvida, se sabemos ou não fazer, mas, ainda assim, fazemos”. Há, também, a forma de se colocar diante de um relacionamento. “Pode ser algo como ‘não sei fazer canção de amor para você’”, explica Natália

Com direção geral dela, artística de Carlos Eduardo Miranda – que partiu repentinamente em 22 de março, aos 56 anos –, e produção de Léo Chermont, Não Sei Fazer Canção de Amor escancara a doçura pop de Natália, da voz que não se sobrepõe à leveza dos seus versos. “Para mim, a palavra é muito importante, ela tem um peso próprio”, diz. 

Com show de lançamento em São Paulo marcado para esta quinta-feira, 19, no Centro Cultural São Paulo, às 21h, com ingressos a R$ 20, terá a participação do mestre da guitarrada Manoel Cordeiro e do pop refinado de Lucas Santtana

Agora na função de compositora de forma definitiva, Natália se abre neste segundo disco. Suas canções – sobre amores, dos carnais aos fraternos – expõem feridas recentemente abertas, cicatrizes e curativos. “São músicas que refletem o que eu vivi no tempo entre o primeiro disco e esse”, ela diz.

Sem medo dos próprios versos, criados a princípio no aplicativo de bloco de notas do celular, no instinto, Natália responde à questão do início do texto: sabe, sim, fazer canções de amor. 

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