Edgard Scandurra e Nasi, do Ira!, no palco do Rock in Rio 2015. FOTO: FABIO MOTTA/ESTADÃO
Edgard Scandurra e Nasi, do Ira!, no palco do Rock in Rio 2015. FOTO: FABIO MOTTA/ESTADÃO

Nasi canta mal e Toni Tornado coloca o Palco Sunset nas alturas no Rock in Rio 2015

Vocalista do Ira! não atingiu muitas notas em clássicos como Núcleo Base e Envelheço na Cidade

Julio Maria, O Estado de S. Paulo

18 Setembro 2015 | 18h18

RIO - O show da tarde no Palco Sunset, com Ira! recebendo como convidados o rapper Rappin Hood e o soulman brasileiro Toni Tornado, teve momentos de mobilização comovente da plateia, com as mãos ao alto acompanhando canções como A Festa do Santo Reis, aqui na voz de Tornado, mas conhecida na gravação de Tim Maia. O Ira! abriu rapidamente, trazendo Envelheço na Cidade, Núcleo Base e Eu Quero Sempre Mais. E por alguns instantes, parecia soar um alerta: o que está acontecendo com a voz de Nasi?

O vocalista de uma das principais bandas do rock de São Paulo não encaixa a tonalidade de músicas importantes em sua história, como Núcleo Base. Desconfortável ao buscar as regiões mais altas, ele tenta se refugiar em lugares incertos e acaba por acertar a trave. Nem a glorificação do rude, do qual o rock se apropriou para se legitimar, parecia absolver Nasi naqueles instantes. Seu parceiro Edgard Scandurra o ajuda quando faz backings, mas não consegue esconder a deficiência que só não se torna vexame pelo respeito que Nasi tem junto aos fãs.

Rappin Hood, um rapper paulistano na medula, encarou bem a plateia de um festival de rock no Rio, sempre mais funk do que rap. Recebeu olhares desconfiados, mas logo quebrou incertezas com um poder de colocar o público na palma de sua mão e fazer até playboys da Barra se dizerem "maloqueiros". Foi com Ninguém Precisa da Guerra, do Ira!, que Hood entrou rapeando sobre a base roqueira, de solos blueseiros de Scandurra. E, aqui, o Sunset faz sentido, possibilitando a interferência de linguagens entre os artistas.

Toni nem precisava cantar. Ao aparecer, com paletó amarelo e camisa vermelha, ganhou a plateia em dois segundos. Começou com Podes Crer, Amizade, um soul de 1971, seguiu fazendo danças e coro para Rappin Hood e encerrou a noite, aos 85 anos de idade, cantando BR-3 e colocando, de novo, o Sunset nas alturas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.