"Napster legal" vai chegar ao Brasil

Um projeto de distribuição de música gratuita pela Internet promete agradar internautas, músicos, produtores e gravadoras no Brasil. O programa, que estará disponível em 40 dias, foi criado pela empresa de tecnologia Everad mas não vai causar as polêmicas do programa americano Napster - que acarretou prejuízo de U$ 10 bilhões para a indústria fonográfica mundial. A proposta da Everad ainda não tem nome definido no Brasil e os portais escolhidos para sediar o programa poderão batizá-lo. O projeto permitirá o acesso a mais de 100 mil músicas nacionais e internacionais, assim como o Napster. "Mas o programa a ser instalado pagará direitos autorais. Diria que é o Napster ao avesso", diz o gerente da empresa, André Fogelman. Segundo diz, a iniciativa já está funcionando nos EUA, com sucesso, desde março deste ano. No Brasil, a Everad está vendendo espaços publicitários para que o projeto entre em funcionamento. "Com esse dinheiro, os músicos serão pagos. Não haverá pirataria nem polêmica. Tudo será acompanhado por auditorias", garante. "Entramos em contato com gravadoras nacionais, e o projeto está sendo bem recebido. As negociações estão adiantadas: 25 mil músicas brasileiras estarão disponíveis." Recepção com festa - "Estamos ainda conversando com portais brasileiros para escolher quais oferecerão o serviço", acrescenta Fogelman. Ele não diz quais são os portais que já contatou. Também não revela com quais gravadoras e anunciantes vem mantendo conversações.No Brasil, sexto maior produtor de música no mundo, cerca de 13 mil sites oferecem música pela Rede. Mas todos são piratas. Não é só a pirataria que amedronta. Programas com funcionamento permitido também apavoram empresários fonográficos. O mais famoso, o Napster, criado pelo estudante americano Shawn Fanning, de 19 anos, apavorou as gravadoras que entraram com ações na justiça para tirá-lo do ar. Fanning já criou outro programa, o my.mp3.com., em tudo similar ao Napster. A iniciativa da Everad foi recebida com festa pela comunidade músical brasileira. Lobão, defensor da distribuição grátis pela Internet, vibrou. "Meu empresário já entrou em contato com a Everad. Sou contra os esquemas das grandes gravadoras. Se já era a favor do Naspter, a Everad representará um marco na indústria fonográfica", diz o compositor.O compositor e vice-presidente da Associação de Músicos, Arranjadores e Regentes (Amar), Paulo César Pinheiro, gostou da proposta. "Vejo com bons olhos, mas para que dê certo, será necessária uma regulamentação", acredita. A advogada da Associação Protetora dos Direitos Intelectuais e Fonográficos (APDIF), Taís Elena Carneiro de Miranda, diz que o projeto já foi apresentado à associação. "Nos pareceu interessante. Apoiaremos, desde que não haja violação aos direitos autorais."

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