Raphael Castello/AgNews
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'Não somos pagas por nossa qualidade profissional, mas por uma questão de gênero', diz Valesca

A funkeira se juntou com Daniela Mercury e Tiê numa campanha que interrompe suas músicas aos 70%, para chamar a atenção para o fato de as mulheres receberem apenas 70% dos salários dos homens

Pedro Rocha, Especial para o Estado

28 Março 2017 | 16h01

As cantoras Valesca Popozuda, Daniela Mercury e Tiê descidiram se unir numa campanha para protestar contra o fato de, em média, as mulheres receberem por seus trabalhos apenas 70% dos salários dos homens. O número é apresentado pela ONG AzMina, que organiza a campanha, inciada no último final de semana.

Para chamar a atenção do público para este fato, as três decidiram interromper algumas de suas músicas aos 70% da reprodução, o que já acontece em vídeos publicados na página da AzMina no Facebook. A intenção é que a campanha atinja rádios, Tvs e até mesmo plataformas como YouTube e Spotify.

“Não estamos sendo pagas pela nossa qualidade profissional, mas por uma questão de gênero e isso é inaceitável”, diz Valesca, ao Estado, ao explicar o motivo de ter aderido à campanha. “Buscamos por igualdade, não existe a questão 'homem X mulher' se estamos exercendo a mesma função profissional.”

A funkeira acredita que a diferença entre salários de homens e mulheres está presente em vários setores, inclusive na música. “Homem que toca, compõe e canta é super valorizado, como um grande artista. Uma mulher que faz isso é julgada como apenas 'um dom', sendo que a mulher também estuda e se capacita para ser ainda mais uma grande artista.”

Valesca é confiante com a campanha e afirma não ter medo de reações negativas dos fãs pela música “cortada”. “Os fãs entendem o recado que estou querendo passar”, diz, garantindo que eles aprovaram a campanha. “Tenho recebido diversas mensagens de apoio nas redes sociais.”

Segundo a organização da campanha, o mote para o projeto foi o Relatório Global de Desigualdade de Gênero do Fórum Econômico Mundial, que indica que são necessários mais de 170 anos para colocar fim à desigualdade de gêneros no aspecto econômico. “Para termos uma real mudança na disparidade salarial que vemos hoje, é preciso dar a devida importância ao tema”, afirma Nana Queiroz, diretora-executiva da publicação em revista da AzMina. “Com o apoio de mulheres de peso na música brasileira, esperamos que as pessoas se sintam instigadas e procurem saber mais sobre o tema.”

 

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