Nando Reis mergulha no universo do amor

De integrante do grupo Titãs e músico-solo, o cantor e compositor Nando Reis pode ser chamado oficialmente agora de band leader. Bonito isso, não? Nando também não acha nada má essa condição, para a qual já mostrava uma quedinha no projeto "Nando Reis e os Infernais - Ao VivoMTV" e endossa em seu novo CD, Sim e Não (gravadora Universal),by Nando Reis e Os Infernais, com direito a letras garrafais edestacadas na capa. Os Infernais em questão são a banda da qual Nando élíder e, segundo ele, um dos componentes. Formado ainda pelotecladista Alex Veley, o guitarrista Carlos Pontual, o bateristaDiogo Gameiro e o baixista Felipe Cambraia, o grupo começou a seconfigurar como tal de cerca de seis anos para cá. No CD "Ao Vivo", Nando disse que achou por bem darcrédito à sua banda, devidamente batizada. "Nesse ´Ao Vivo´, aidentidade já havia sido criada, precisava só denominá-la",explica ele. "Os Infernais têm uma qualidade técnica,carismática, que atingia principalmente aqueles que iam ao showsem saber o que encontrariam, que som eu iria tocar. Aquelaidéia do Nando produtor da Cássia, baixista do Titãs, cantor deMPB, que trabalhou com a Marisa Monte. Isso tudo até o disco aovivo era algo muito comum." Nando se diz membro da banda, mas, obviamente, comofundador dela, desfruta de plena liberdade. Em todos ossentidos: do processo criativo de um disco até a condução de umshow. Com essa trupe Nando Reis faz sua incursãomais profunda pelo universo do amor. Do ponto de vista do homem, damulher. O amor que dá saudades, que dá tristeza, que dá alegria,que dá dor-de-cotovelo. O amor pela vida, pela liberdade, o amorpaternal. "De certa maneira, é meu modo de falar com o mundo. Emtodos meus discos, há esse enfoque", conceitua. "Nesse caso,talvez, fique mais acentuadamente caracterizado por isso, porquehá, em algumas músicas, uma ênfase em aspectos que até então eunão tratava."Musicalmente sua marca continua lá Nas letras, ele gosta de brincar com os antagonismos desentimentos, com as ambivalências de pontos de vista, a partirdo homem e da mulher. Resvala na sexualidade. Presta homenagem àsua musa, Nani, em rompantes de saudades que explicita emcanções como N e Sou Dela (esta, com uma levada dançante e vocais brincalhões). Satisfaz o desejo da filha, Zoe, de serlembrada numa canção e o faz em Espatódea - e acabasatisfazendo o próprio desejo de cantar sua ruivinha. Há lampejos autobiográficos no meio do caminho, o quenão é de se estranhar quando o amor e suas variantes alimentamas composições, como se sente em Caneco 70, em que ele teceuma longa narrativa de um amor do passado. Ou da inevitável dorde quem ama, como descreve em Pra Ela Voltar. E se como letrista, Nando mergulha de cabeça numuniverso que vinha tateando em trabalhos anteriores,musicalmente sua marca continua lá, com variações aqui e acolá,provavelmente fruto de contribuições de seus músicos. "Acho queo CD avança, alarga meus limites de sonoridades, de arranjos.Menos monotimbrista que A Letra A, mas, ao mesmo tempo, temrepertório poeticamente mais enfático." Quando o assunto é o campo da composição, Nando afirmaque, às vezes, se sente um pouco uma espécie em extinção."Muitos caras da minha geração morreram. Não que os que estejamvivos não façam coisas boas, mas é muito marcado por tragédias."A turnê de Sim e Não deve começar em maio e o músico avisa quedeclinou do convite de participar do Rock in Rio - Lisboa, porcausa de questões empresariais.

Agencia Estado,

18 de abril de 2006 | 18h41

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