Nando Reis estréia show-solo em SP

O músico Nando Reis sobe ao palcodo Sesc Pompéia, em São Paulo, amanhã e domingo, paraapresentar seu primeiro show-solo em São Paulo, quase três mesesdepois de deixar o Titãs. Talvez por ironia do destino, o SescPompéia serviu de cenário para a primeira apresentação da banda,em 1982, época em que ainda se chamava Titãs do Iê-Iê. Nestaminitemporada do show Infernal, Nando destaca no repertóriocanções de seu terceiro CD-solo, homônimo, além de composiçõesde seus dois discos anteriores, 12 de Janeiro (1995) ePara Quando o Arco-Íris Encontrar o Pote de Ouro ( 2000).Para alegria geral dos fãs, ele não deixou de fora as letras quecompôs enquanto fez parte do antigo grupo, como Marvin eOs Cegos do Castelo. "É um show em cima das minhasmúsicas", enfatiza. "Uma das coisas que ocorreram depois quesaí do Titãs é que eu só canto minhas músicas. Elas estãoassociadas a mim e não vejo problema em cantá-las."Também não se esqueceu da amiga Cássia Eller. Pensandonela, vai cantar Luz dos Olhos. Ainda pensando nela,produziu o novo disco de inéditas da saudosa intérprete, queserá lançado em dezembro, mês em que se completa um ano de suamorte. O compositor dedicou-se ao projeto durante o ano todo."Mas praticamente pude trabalhar nas gravações nos meses desetembro e outubro."Nando está feliz com a nova fase, promissora. Até o fimdo ano, está com a agenda repleta de shows, num total 13apresentações, passando pelo Sul e Nordeste do Brasil. Já pensanum próximo disco, que deve gravar a partir de fevereiro."Tenho idéias de combinações para o próximo trabalho, mas tudosão suposições", diz. "Até a gravação, devo e quero fazer maiscoisas, aproveitando toda a novidade desse momento." Não épouca novidade para quem passou os últimos 20 anos como um Titã.Em entrevista, o músico fala sobre a nova carreira, a saída doTitãs e a polêmica capa da biografia da banda, A Vida AtéParece uma Festa - Toda a História dos Titãs, que reúnesomente os cinco integrantes remanescentes.O que mudou na sua rotina com acarreira-solo?Nando Reis - Assim que saí do Titãs, pude usar o tempoque fiquei sem fazer shows para terminar o disco da Cássia(Eller), que me obrigou a ir muito ao Rio. Saí dos Titãs parater tempo e ter o controle desse tempo, de uma maneira muitodiferente quando se está numa banda. Quem manda é a banda.Embora pareça tudo muito democrático, às vezes não é, você temde acatar, não há possibilidade de negociação. Minha carreiraindividual foi adquirindo tamanho tão grande, que preciseiescolher. Agora, quero aproveitar ao máximo estar sozinho,decidir. Estou ainda aprendendo a exercer tudo isso.Existe cobrança do público por sua saída?Existe. E acho natural que os fãs do Titãs seressintam, que alguns fiquem com raiva, mas a maioria dasmanifestações é de incentivo. Acho que tenho identidade própria,embora eu sempre vá ser um ex-Titã. Fui durante 20 anos e sempreserei. Metade da minha vida, passei na banda. Mas isso não éruim. Só agora, com esta separação, o mal-estar, oressentimento. Mas acho tudo isto uma bobagem perto daquantidade de coisas legais que a gente fez. Basta ver o livro(A Vida até Parece Uma Festa), que está contando umahistória de sucesso, amizade.Você leu o livro?Li praticamente o livro inteiro. Enquanto foifeito, os autores mandavam os capítulos para a gente. Contribuímuito com o livro, tenho um arquivo enorme que emprestei a eles.Quando falei que fiquei chateado com a capa, não foi chateado decriancinha. Eu e o Marcelo (Fromer) construímos, nesses 20 anos,a história que está sendo contada lá. Não acho representativopara o conteúdo do livro uma capa que nos exclua. E por ummotivo bobo, que é por eu ter saído do Titãs. Entendo asdificuldades de escolha numa situação dessa, só que a soluçãoadotada foi infeliz.Você mantém contato com algum dos titãs?Não, a gente está distante. Acho issoabsolutamente natural. Me sinto amigo de todos. Não tenho maisdo que um monte de bobagens para lamentar e o que sobra é umagrande amizade, de 20 anos, que espero que possa viver ospróximos 20. Daqui a pouco, a gente volta a se encontrar.E o disco de inéditas da Cássia Eller?Está pronto. É um disco com 11 faixas, gravadoem cima de voz e violão, e vai sair em dezembro. É tudo queposso dizer, o disco vai ser lançado daqui a duas semanas. E oCD não é meu.Como era sua relação com Cássia Eller?De parceria e amizade muito boa. Fizemos doisdiscos lindos, que me encheram de gratificação e promessas. Amorte dela foi um golpe, fiquei sozinho no que imaginava estar orumo da minha vida. O sentido desse disco é um pouco de vingançacontra o destino.Nando Reis. Amanhã, às 21 horas; e domingo, às 18horas. De R$ 12,50 a R$ 25,00. Teatro do Sesc Pompéia. RuaClélia, 93,São Paulo, tel. 3871-7700.

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