Nação Zumbi, de Rio Doce para Nova York

Barulhento, o movimento Mangue Beat, liderado por Chico Science e Fred 04, tomou de assalto o meio underground brasileiro. Em 1995, o mundo queria saber quem eram aqueles rapazes suburbanos de Recife que fundiam rock, música eletrônica a ritmos regionais como o maracatu. O estardalhaço provocado por Da Lama ao Caos, estréia fonográfica de Chico Science & Nação Zumbi, chamou a atenção dos principais produtores nova-iorquinos, que convidaram a banda para o principal festival de verão da cidade, o Summerstage Festival. Neste fim de semana, a Nação Zumbi volta à Nova York. Tocam novamente no Central Park, no mesmo evento que os revelou para o mundo. Trilham os mesmos passos de cinco anos atrás. Tentam provar aos entusiastas daquela ocasião que existe vida após Chico Science. O show faz parte da turnê de divulgação de Rádio S. Amb. A., quarto e independente CD dos pernambucanos, lançado mês passado pela gravadora paulista YBrasil!. Contará com ilustres participações especiais. P.C Slam, filho de Africa Bambaataa, fará uma jam. Seu pai, líder do movimento hip hop nova-iorquino, participou da gravação do novo disco da Nação mas em função de compromissos particulares não poderá participar da apresentação. D.J Spooky, com quem dividiram o palco no Heineken Concerts de 1998, em São Paulo, Soul Slinger, brasileiro radicado em Nova York dono do selo Liquid Sky e Arto Lindsay fecham o elenco de convidados.Manguetejo ?Após a apresentação em território norte-americano, os pernambucanos seguem para Londres, Inglaterra, país em que nunca estiveram. Depois, aportam em Portugal. Apresentam-se no festival Manguetejo ao lado de Mundo Livre e Otto. Da terrinha devem voltar à Nova York, para um novo show, ainda não confirmado. De volta ao Brasil, a estrada os espera. "Estamos tentando entrar no circuito do Sesc. E pretendemos tocar em qualquer buraco no segundo semestre", diz Lúcio. A miniturnê internacional que se inicia sábado coincide com o lançamento do disco nos Estados Unidos, Europa e Japão, cuja distribuição será feita pelo selo britânico Stern. "Quando chegamos em Nova York pela primeira vez rolou um puta impacto", relata o guitarrista Lúcio Maia. "Ninguém falava inglês direito, o som ainda não era o que viria a ser, tocávamos sem bateria. Foi uma coisa totalmente raiz e os caras gostaram". O disco Da Lama ao Caos foi eleito um dos 10 melhores álbuns de 1995 pelo The New York Times.No ano seguinte, contudo, após o lançamento de Afrociberdelia, a banda voltou aos EUA e pôde fazer o giro que seus integrantes sempre sonharam. "Foi uma turnê mais redonda", conta o guitarrista,"Nosso reconhecimento internacional não foi repentino. Foi uma coisa que a gente galgou aos poucos".

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