REUTERS/Stringer
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Na quarentena, cresce o consumo de música 'fria'

Nas playlists do Spotify, canções acústicas, menos dançáveis ​​e com menos energia ganham destaque; mais usuários estão consumindo o streaming em dispositivos fixos

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

30 de março de 2020 | 18h19
Atualizado 02 de abril de 2020 | 18h25

Um estudo interno do Spotify, feito entre os dias 19 e 25 de março, quando as autoridades de saúde de diversos países do mundo recomendaram a quarentena, revelou que os hábitos de consumo no serviço de streaming mudaram. Músicas que os ouvintes estão adicionando às suas playlists são mais "relaxantes", segundo a plataforma — o que significa que elas são mais acústicas, menos dançáveis ​​e têm menos energia do que as músicas adicionadas anteriormente. Além disso, o instrumental também ganhou espaço.

Tendência semelhante foi encontrada na plataforma Deezer, em estudo realizado no mundo todo entre os dias 2 e 22 de março. A plataforma passou por um processo de estabilização depois de ver o consumo cair, mas nessa retomada a Deezer contabilizou que a reprodução de playlists como "Mellow Days" aumentaram 335%. A lista "Feel Good" se tornou a segunda mais transmitida globalmente no canal "Vida em Casa". 

No Brasil, a playlist “Calmaria” teve um crescimento de 267%, seguida pela “Slow-Fi”, feita para ajudar as pessoas a descansarem, que atingiu crescimento de 217%.

Outra tendência encontrada pelas duas plataformas foi a de que os usuários estão criando e seguindo mais playlists de exercícios do que no mês anterior, e o número de streamings em listas de corrida, yoga, sons da natureza e meditação também estão em alta. Na Deezer, o streaming da playlist “Yoga e Meditação” cresceu 366% em uma semana.

Mais usuários também estão consumindo streaming em dispositivos como desktops de computadores, TVs, alto-falantes inteligentes e consoles de jogos. Também houve um aumento nas playlists com temas de culinária e serviços de casa.

"Vimos um aumento nas playlists colaborativas durante esse período", diz ainda o comunicado do Spotify. "Além disso, os usuários do Spotify estão compartilhando mais conteúdo em suas redes sociais do que o habitual."

A plataforma também registrou um crescimento no consumo de música para crianças, como nas playlists "MPB para crianças" e "Nana Nenê". A quantidade de usuários ativos nesta categoria, na Deezer, cresceu 218% depois da segunda-feira, 23, quando o serviço lançou o canal "Vida em Casa". A playlist que mais cresceu no Brasil, nesse período, foi a “Mundo Disney” (3.634%), demonstrando, segundo a Deezer, a necessidade dos pais brasileiros de entreterem seus filhos enquanto se dedicam ao trabalho em casa.

Na Itália e na Espanha, os moradores começaram a cantar juntos nas varandas e janelas, em homenagem aos profissionais de saúde. Duas das músicas cantadas na Itália subiram no Spotify: as faixas de Abbracciame aumentaram 820% em 13 de março e as de Azzurro subiram mais de 715% em 14 de março. Na Espanha, Resistiré, do Duo Dinamico, saltou 435% a partir de 15 de março, depois que os vídeos do evento começaram a circular nas mídias sociais.

Também fora do Brasil, artistas que fizeram lives viram o consumo de suas músicas na plataforma crescer, um crescimento, segundo o Spotify, que ocorria após grandes shows ao vivo. James Blake, Indigo Girls, Ben Gibbard, Chloe x Halle, Code Orange, e Jewel são alguns dos exemplos citados pela plataforma.

Entre os artistas nacionais, os dados fornecidos pela Deezer apontam a mesma tendência. Gusttavo Lima, por exemplo, teve um aumento de 40% em streams no último domingo, 31, em relação aos domingos anteriores, após a transmissão ao vivo que fez no sábado, 30. Michel Teló também teve um consumo 40% maior no sábado, depois da live de sexta. Já Sandy viu seus streams crescer 46%.

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