Na Praça da Sé, o rock-and-roll pede paz

Música para pedir paz. A idéia que só este ano inspirou os idealizadores da terceira edição do Rock in Rio - Por um Mundo Melhor e a criação da quarta Parada da Paz, versão nacional da Love Parade européia, é evocada mais uma vez para a realização de um grande evento na cidade.No domingo mais "branco" do ano, que começa com o "evangelizador" Wynton Marsalis se apresentando na Praça da Paz do Ibirapuera, artistas de peso do rock nacional e bandas iniciantes encontram-se, a partir das 11 h, na Praça da Sé, para tocarem rock no evento já batizado de Encontro pela Paz. "Violência não é só ter uma arma apontada na cabeça. Queremos que todas as pessoas venham vestidas de branco para protestarem contra as várias formas de agressão pelas quais passamos todos os dias", diz Roberta Junqueira, coordenadora de eventos promovidos pela Força Sindical de São Paulo, uma das entidades organizadoras do show. "A idéia é fazer uma grande manifestação com um público formado principalmente por jovens", completa.Rock político - Grupos conhecidos como Pato Fu, Ira!, Cidade Negra, Paralamas do Sucesso e o roqueiro Marcelo Bonfá, ex-baterista da Legião Urbana, já estão confirmados. Cada show terá, em média, uma hora de duração. Segundo a organização, os artistas não cobraram cachês para participarem. Outros músicos aparecerão apenas para discursarem a favor da paz. Entre os 26 nomes convidados - ainda não confirmados - estão Falcão, vocalista do grupo O Rappa, e Toni Belloto, guitarrista do Titãs.Mostrar bandas que lutam por um lugar ao sol é outra intenção dos organizadores. Os primeiros shows serão dos grupos Quasars, Afetos, Bajolo e Mary´s Band, que mostrarão covers e músicas próprias em apresentações de, no máximo, 20 minutos.Música e discurso - Cada conjunto representa uma das entidades responsáveis pela produção. A Quasars traz professores ligados ao colégio Ego Sum, que pertence a um pool de entidades de ensino que promovem cursos de qualificação profissional, como os programas Fundo de Amparo ao Trabalhador e as Frentes de Trabalho. A Afetos é formada por jovens da Força Sindical e o Bajolo tem músicos que trabalham na rádio 89 FM, responsável pela divulgação e produção do show."A iniciativa é importante mas não vai surtir efeito se for isolada. Para acabar com a violência é necessário gerar cada vez mais oportunidades de emprego", aquece o discurso o baixista do Quasars, Wladimyr Alves Bittencourt, que é também coordenador dos cursos do programa social Frente de Trabalho.Seu grupo, formado por Geraldo Guimarães (guitarra), Eric Martins (bateria) e Johnny (vocal), promete enfrentar as cerca de 7 mil pessoas estimadas para estarem na praça com repertório próprio. "De cover, vamos tocar só Black Night, do Deep Purple. O resto será material nosso", afirma Bittencourt. Cerca de 20 mil lenços brancos serão distribuídos para o público. Antes das apresentações, das 9 h às 11 h, cerca de 30 escolas das redes municipal e estadual desfilarão na Rua 15 de Novembro. "Vamos premiar as três melhores com computadores", antecipa Roberta.A própria organização diz ter se surpreendido com a dimensão que o projeto tomou. A idéia original era de se fazer uma campanha mais isolada, ligada apenas aos colégios que promovem cursos de qualificação profissional. A entrada da Força Sindical e da 89 FM mudaram as regras do jogo. "Só para se ter uma idéia, previmos uma distribuição de 50 mil panfletos do show para estudantes. Até agora, no entanto, já entregamos mais de 120 mil", conta a organizadora. Encontro pela Paz - Domingo, a partir das 11 h. Praça da Sé. Gratuito

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.