RODOLFO MAGALHÃES
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'Na pandemia, ansiedade é algoz', diz Vanessa da Mata sobre retorno com show presencial

Cantora fala do confinamento em família e não esconde a indignação no caso Mariana Ferrer: "Eu não gostaria de ser filha desse advogado"; Vanessa se apresenta no Festival Cortinas Abertas, no Teatro Santander

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2020 | 05h00

Com doçura na voz, Vanessa da Mata fala do carinho que tem em compartilhar nas redes sociais vídeos de fãs tocando trechos de seus sucessos. “É uma maneira de afagar o público e dar força para quem precisa.” Algumas das músicas certamente estarão no show presencial da cantora e compositora neste sábado, 7, no Teatro Santander, na programação do festival Cortinas Abertas.

Mas até chegar nesse tão esperado olho no olho com o público, a artista reconhece que 2020 está sendo um filme de terror. “Fui uma das primeiras a cancelar shows, nesse caso, uma apresentação no Ibirapuera.”

Em entrevista ao Estadão, a artista lembra da rotina de reclusão com a família no Mato Grosso, seu estado natal. A mãe da artista adorou ter a filha por perto nos últimos cinco meses, confessa Vanessa. “Foi um resgate. Levei telas e tintas para pintar, aproveitei para escrever, cantar e relembrar daquelas coisas que a gente nunca tem tempo de lembrar.”

No entanto, o efeito diário provocado pelo confinamento também trouxe dor à família de Vanessa, que perdeu amigos, vítimas de covid-19. “Além do invisível perigoso, existe a falta de controle das coisas. A ansiedade é o algoz dessa pandemia”, conta. “Estou sempre na expectativa do futuro, sou uma convicta ansiosa, mas encarar o presente também é muito difícil.” 

Aos poucos, de volta à uma realidade de trabalho ainda singular, por conta das medidas de segurança, Vanessa segue em contato com os fãs nas redes sociais. Nesse espaço, além de compartilhar a beleza de suas canções, a cantora não disfarça indignação, apesar de manter a mesma voz doce – ao denunciar injustiças.

Nós último dias, a cantora se juntou aos críticos da sentença do recente caso de estupro da jovem Mariana Ferrer. “Isso é uma traição da Justiça, contra todas as mulheres”, disse a cantora à reportagem, a respeito da conduta da defesa do acusado. “Eu não gostaria de ser filha desse advogado. Ninguém pode nos tocar, sem nossa autorização. Isso deve ser falado o tempo inteiro.”

De volta aos palcos, junto com o público, a cantora explica que a turnê Quando Deixamos Nossos Beijos na Calçada pretende trazer algumas curiosidades e elementos que cada espectador vai descobrir. Sem deixar faltar as músicas do novo álbum, Vanessa garante o single Só Você e Eu, Vá com Deus e Nova Geração, além da música título do álbum. “Também conseguimos encaixar Boa Sorte, Ai, Ai, Ai, Ainda Bem, que sempre são pedidas”, afirma. 

Festival Cortinas Abertas

Com a retomada dos espaços culturais, o Teatro Santander optou por reabrir com 50% da capacidade, menor que os 70% anunciados pelo governo do Estado. “Agora o público precisa ter confiança de que os eventos de cultura e lazer serão feitos de modo seguro”, afirma Patricia Audi, porta-voz. 

Destaques

O espetáculo A Mentira, comédia de Florian Zeller, traz Miguel Falabella na direção e no palco, nos dias 13, 14 e 15 de novembro. Com Zezé Polessa, a montagem discute os limites da verdade e da mentira.

Nos dias 28 e 29 de novembro, a bailaria e coreógrafa Ana Botafogo traz a fantasia e o romantismo de A Magia do Quebra-Nozes, com a Cisne Negro Companhia de Dança.

Serviço. FESTIVAL CORTINAS ABERTAS TEATRO SANTANDER. AV. PRESIDENTE JUSCELINO KUBITSCHEK, 2041. TEL.: 4810-6868. DE 6 /11 A 20/12. R$ 200 - R$ 50. 

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