Ná Ozzeti e Alzira Espíndola amanhã no Sesc Pompéia

É muito provável que ninguém mais se lembre dos nomes dos vencedores do insólito Festival da Música Brasileira, promovido pela Rede Globo no ano passado. Diferentemente dos consagrados festivais dos anos 60 e 70, aquele evento não resultou em sucessos, nem chegou a descobrir novos intérpretes. A única coisa que valeu a realização do festival foi ter dado uma chance a Ná Ozzetti, eleita a melhor intérprete do festival, de gravar seu novo e delicioso disco Show. Amanhã, às 21h, o público terá oportunidade de conferir algumas músicas do repertório do CD. Ná Ozetti se apresenta ao lado da cantora Alzira Espíndola no projeto Intimidade é Fato, no Sesc Pompéia. Depois das apresentações-solo, as duas cantoras irão se unir no palco para interpretar algumas músicas e participar de um talk show com a platéia. Por toda sua carreira, Ná Ozzetti esteve associada aos compositores e intérpretes da chamada vanguarda paulista. Com o CD gravado após o Festival da Música Brasileira, Ná Ozetti novamente provou que não se restringe a um único rótulo. Privilegiando canções dos anos 30, 40 e 50, com arranjos impecavelmente contidos, o novo disco evidencia um fato que até agora poucos conheciam: Ná é ao mesmo tempo uma das mais emocionadas e técnicas cantoras do País. A elegância clássica na qual o disco vem embalado coloca sua voz em primeiríssimo plano. Das canções que estarão no repertório da cantora, vale destacar a delicadeza da recriação de Linda Flor e do tom brejeiro de João Valentão. Com um sutil acompanhamento (dois violões, um leve trabalho de percussão, eventuais sopros e violoncelos) a cantora também passeia pela fossa ( Meu Mundo Caiu e Não Me Culpes) com a mesma elegância com a qual repassa sambas ancestrais (Na Batucada da Vida, Adeus Batucada e Último Desejo). A cantora e violonista Alzira Espíndola retornou ao cenário musical no ano passado com o elogiado disco Ninguém Pode Calar, todo dedicado a obra de Maysa. Morta em um acidente de carro na ponte Rio-Niterói, em 1977, aos 40 anos, Maysa foi considerada uma revolucionária da música popular brasileira na década de 50, com suas músicas de fossa e dor-de-cotovelo. Conhecida por seu temperamento forte, a cantora e compositora sempre lutou contra a solidão que sentia, apesar dos amigos e admiradores, e contra o alcoolismo. A matogrossense Alzira Espíndola conseguiu modernizar o repertório dor-de-cotovelo de Maysa sem descaracterizá-lo. Deixando para trás os grandiloqüentes arranjos orquestrais das gravações de Maysa, Alzira e seu co-produtor Luís Waack apostaram na simplicidade sonora. Os sambas-canções também foram abandonados, dando lugar até a um apropriado blues-rock na deliciosa recriação de Meu Mundo Caiu, a um sensível folk em Adeus, ou a uma balada jazzística em Felicidade Infeliz. Além das canções de Maysa, o repertório que Alzira Espíndola leva ao palco do Sesc Pompéia também inclui Bom Dia Tristeza (de Adoniran Barbosa e Vinícius de Moraes), Quem Quiser Encontrar o Amor (Carlos Lyra e Geraldo Vandré) e Chão de Estrelas (Silvio Caldas e Orestes Barbosa). Logo depois do fim das apresentações, as duas cantoras se juntam no palco para cantar Sei Dos Caminhos (música de Itamar Assumpção e Alice Ruiz), Canto em Qualquer Canto (Ná e Itamar Assumpção) e Sutil (Itamar Assumpção). Ná Ozzetti e Alzira Espíndola - Teatro do Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93. Tel: 3871-7700. Amanhã, 21h. R$ 15.

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