Reuters
Reuters

'Na casa dos irmãos Borges, todos ouviam Beatles', diz Milton Nascimento

Cantor e compositor lembra de como teve seu primeiro contato com a banda e do apreço de Edison Machado por Ringo Starr

Milton Nascimento, ESPECIAL PARA O ESTADO

27 de dezembro de 2015 | 05h00

Cheguei em Belo Horizonte no começo de 1962, e foi uma das experiências mais importantes da minha vida. Pela primeira vez eu convivia com música e com músicos 24 horas por dia. Na minha cidade, Três Pontas, apesar da facilidade por eu já ter sido DJ na Rádio Clube da região, muita coisa não chegava, em termos de música. Por causa disso, minha chegada em BH foi decisiva também no sentido de descobrir coisas novas. Minha convivência na casa dos Borges – levado por Marilton, quando eles moravam no Edifício Levy – proporcionou muitas destas descobertas fundamentais na caminhada musical que se iniciava.

Estou falando de quando conheci os Beatles, naqueles anos 60 da minha chegada à capital de Minas, quando frequentava o “quarto dos homens” no apartamento dos Borges. Não me lembro direito qual deles exatamente chegou com os Beatles e fez minha cabeça, se foi Marilton, Lô ou Márcio. Mas, quando me lembro dessa época, automaticamente os três irmãos me voltam na memória. Na casa dos Borges, toda a rapaziada ouvia Beatles. Dos mais novos aos mais velhos.

Desde então, nunca mais me separei dos Beatles. Até hoje sinto a mesma sensação de quando ouço alguns de seus discos. Gosto de tudo que eles lançaram. Durante a carreira, gravei três músicas deles, Norwegian Wood, Hello Goodbye e, mais recentemente, uma gravação de Golden Slumbers, em que juntaram minha voz à da minha amiga Elis Regina, que já tinha gravado a canção. Me emocionei muito com o resultado final, juntar Elis e Beatles é uma emoção que nada pode definir.

Os quatro Beatles têm suas qualidades e, juntos, uma força incrível. Dentre os seguidores do quarteto, sempre há aqueles que gostam mais de um do que outro. Já outros gostam de falar das qualidades técnicas. Quando se fala em Beatles, tudo se discute.

Por exemplo, tem gente que gosta de falar que o Ringo Starr é o beatle mais fraco do grupo e outras coisas... Assim como outros músicos de outros gêneros falam que ele toca mal. Mas vou contar uma história: quando o Édison Machado (um dos maiores bateristas brasileiros, morto em 1990) foi gravar no meu álbum Minas (de 1975), lembro de perguntar a ele qual era o seu baterista preferido. E, para surpresa geral de todos ali no estúdio, ele respondeu: Ringo Starr. Conto só pra você ver como pode, um cara virtuose, mestre de uma geração inteira de bateristas brasileiros, dizer que o Ringo é o melhor baterista do mundo. Cada Beatle tem sua genialidade, mas, juntos, não existe nada igual. E a história está aí pra quem quiser, basta sentir.

The Beatles One. 

27 músicas que foram ao topo. Em CD, DVD, CD+DVD, CD + 2 DVDs + Livro e Blu-Ray.

Preço médio do combo CD + DVD: R$ 77,90

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.