Músicos tocam em cima de bicicletas

Tem músico que não dispensa uma cervejinha gelada depois do ensaio. Não é o caso dos integrantes do grupo Cyclophonica, que se apresenta em São Paulo no próximo sábado, dia do 449.º aniversário da cidade. Com a proposta de fazer música e andar de bicicleta ao mesmo tempo, os instrumentistas dessa orquestra sobre rodas preferem abrir mão do hábito etílico para evitar eventuais acidentes. "A gente tem que voltar para casa pedalando depois de ensaiar", explica Leonardo Fuks, oboísta profissional e líder da Cyclophonica. "Por causa disso, decretamos uma lei seca, porque não dá para andar de bicicleta depois de beber." Com oito músicos profissionais, o grupo se formou há quatro anos. Fuks teve a idéia em Estocolmo, na Suécia, onde fazia um curso de doutorado em acústica musical. Paralelamente, ele tocava em uma orquestra que ensaiava a 15 quilômetros da cidade - distância que ele percorria de bicicleta. Grupo usa mais de 100 instrumentos - Veio então o estalo e o músico começou uma pesquisa para descobrir alguns instrumentos que pudessem ser tocados enquanto pedalava - e, como pelo menos uma das mãos teria que estar ocupada com o guidão da bike, a idéia era encontrar instrumentos que pudessem ser tocados com uma única mão ou somente com a boca. "Encontramos, para a nossa própria surpresa, mais de 100 instrumentos que se encaixam nessa proposta - todos eles mais baratos do que a própria bicicleta pois, em caso de queda, nosso prejuízo seria muito grande", diz Fuks. "Temos muitos instrumentos de PVC, alguns de brinquedo, uma série de apitos, escaletas. Eu bolei também um capacete com um prato de bateria acoplado em cima." No repertório da Cyclophonica, sobram temas conhecidos do imaginário popular dos mais diversos estilos musicais. ´Bolero de Ravel´, ´Baião´ (de Luiz Gonzaga) e ´Besame Mucho´ são algumas das músicas que costumam ser interpretadas no show sobre rodas. "É uma coisa bem clichê mesmo", admite o líder do grupo. "A gente não tem preconceitos nesse sentido. O importante é envolver as pessoas em um curto espaço de tempo." Ele explica que, como os pedestres não conseguem acompanhar os músicos ciclistas, o grupo poderia tocar uma mesma música durante uma hora e meia que ninguém perceberia. "O público vai mudando conforme a gente vai avançando em nosso percurso e a gente poderia até variar o tempo todo em cima de um único tema sem soar repetitivo", diz. Cyclophonica promete tocar ´Trem das Onze´ Em São Paulo, o grupo promete homenagear a cidade com uma versão para ´Trem das Onze´, de Adoniran Barbosa. O trajeto começará no Sesc Ipiranga, às 11h, e percorrerá diversas vias - incluindo as avenidas do Estado e Senador Queiroz e o viaduto Santa Ifigênia. Na Praça da Sé, a Cyclophonica planeja fazer uma apresentação batizada de "cyclophonada" - em que os seus integrantes fazem coreografias em um espaço delimitado. Nesse formato, o público pode parar para assistir à performance do grupo sem ter que correr atrás das bicicletas. Completam o grupo Sérgio Magalhães (flautista e saxofonista), Manuela Marinho (cavaquinista e professora de música), Afonso Oliveira (flautista e professor de música), Cosme Silveira (fagotista), Denise Padilha (cantora), Sérgio Naidin (percussionista) e Sheyla Zagury (professora de piano). Em São Paulo, os músicos ganharão o reforço de 80 ciclistas do Clube do Pedal - que vão tocar buzinas e apitos. Serviço: Cyclophonica, sábado, com saída às 11h, no Sesc Ipiranga (r. Bom Pastor, 822. Tel. 3340-2000).

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