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Músicos indignados com a programação da Virada Cultural formam grupo em SP

Eles pedem transparência, contestam a seleção dos artistas e a retirada de palcos como o Piano na Praça

Julio Maria, O Estado de S. Paulo

15 de maio de 2014 | 20h01

Importantes músicos da cena instrumental de São Paulo estão indignados com a programação da Virada Cultural e com a política pública para esta área em São Paulo. Eles contestam as atrações, dizem haver falta de transparência na seleção e reclamam por espaços retirados, como o palco do Piano na Praça, por onde passavam atrações instrumentais durante as 24 horas do evento.

A produtora Lu Lopes está arquitetando um movimento para cobrar o poder público e apresentar propostas para as próximas edições. Uma reunião com artistas de várias áreas está marcada para a próxima segunda, às 20h30. As rápidas adesões já fizeram o local escolhido ser trocado duas vezes. Até a tarde de ontem, a ação iniciada com um post nas redes sociais já contava com mais de 60 confirmações. Dentre elas, as dos músicos Carlinhos Antunes, Caíto Marcondes, Carlos Careqa, Anaí Rosa, Sergio Bello, Rafael Toledo, Bisdré Santos, Thadeu Romano, Fabio Torres e Eduardo Gudin.

"A Virada foi o estopim. Também queremos ocupar os espaços. Como gastam R$ 13 milhões com atrações que podem ser vistas o ano todo? Levam Valeska Popozuda e Tati Quebra Barraco enquanto nomes importantes cansam de se inscrever e nada acontece", diz Lu. Ela contesta também a permanência de Zé Mauro Gnaspini na curadoria. Ele está sob investigação do Ministério Público desde 2012, quando surgiram denúncias ligando seu nome a irregularidades em licitações com empresas que prestam serviços ao evento. "O que estamos propondo é transparência. Faço inscrições na Virada há 8 anos e não sei ainda que critério usam para montar a programação. Chamar isso de Virada Cultural é um despropósito", diz Carlinhos Antunes.

Gnaspini falou ao Estado sobre a falta de música instrumental no evento. "Sempre vai ter mais gente fora do que dentro. São muitas inscrições. Muitos reclamaram da falta do Piano na Praça, mas o que tentamos fazer é equilibrar o jogo. Não podemos atender a todos os segmentos sempre. E a Virada é feita para agradar ao público, não aos músicos."

Pena Schmidt, um dos curadores, diz: "Senti falta do palco do Piano na Praça, mas havia a intenção de se colocar instrumental em espaços adequados, como no Mercado Municipal. Todo ano há uma mudança, a Virada tem este perfil flexível em seu conteúdo. Isto favorece as descobertas ou as revisitas." A programação do Mercado Municipal será de forró.

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