Músicos demitidos da OSB querem formar nova orquestra

Eles ainda não sabem, entretanto, com quantos instrumentistas mais poderiam contar nem qual nome usariam

Roberta Pennafort - O Estado de S.Paulo,

01 de maio de 2011 | 16h30

Os 36 músicos demitidos da Orquestra Sinfônica Brasileira sonham formar uma nova orquestra. Ainda não sabem com quantos instrumentistas mais poderiam contar nem qual nome usariam. "A gente quer o mais rapidamente possível se livrar do rótulo de 'demitido'. Há 70 anos, a OSB nasceu de um sonho de um grupo de músicos, e nada impede que isso volte a acontecer. O que fizemos sábado pode ser o embrião de uma nova orquestra", deseja o violinista Luzer Machtyngier, que representou o grupo nas negociações com a fundação que administra a OSB.

Ele se referia ao concerto-protesto realizado na Escola Nacional de Música, da UFRJ, por 71 músicos - 35 de outras orquestras, que se solidarizaram com a situação dos colegas, dispensados por se recusarem a se submeter a uma avaliação de desempenho que consideraram humilhante. Em 1940, na mesma sala de concertos, foram realizadas as audições para os primeiros integrantes da OSB, o que conferiu importância simbólica ainda maior ao manifesto.

A apresentação, antecedida de discursos emocionados e entremeada por momentos por momentos de ovação (o público presente, de mais de 600 pessoas, driblou a falta de ar condicionado e até de assentos), foi filmada pela equipe de Silvio Tendler, que fará um documentário sobre a crise na orquestra, desencadeada no início do ano. "Estou acompanhando tudo, e é muito triste ver a música tratada com tanto desprezo", lamentou Tendler, na plateia.

Na quarta-feira, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, receberá o grupo em Brasília. Hoje, Lupi, que veio ao Rio para as comemorações do Dia do Trabalho, criticou duramente a postura da Fundação OSB de por fim ao diálogo. Ele disse que entrou em contato com dois dos patrocinadores da OSB, a Prefeitura do Rio e o BNDES, na tentativa de provocar-lhes uma reação em favor dos instrumentistas.

"Falei com o prefeito Eduardo Paes e com o Luciano Coutinho, presidente do BNDES, e eles disseram que iam agir. Já tentei de tudo e a Fundação se negou", contou. "Eles faltaram à audiência de conciliação na superintendência do Rio, o que foi profundamente desrespeitoso. É a primeira vez, em quatro anos e meio de ministério, que eu vejo isso. Não pode haver discriminação do músico brasileiro. Eles já provaram que são excelentes profissionais."

As negociações foram extintas na semana passada. Os músicos condicionaram sua volta à OSB à saída do diretor artístico e regente titular, Roberto Minczuk, que foi mantido nos cargos.

Em entrevista à revista Veja que chegou às bancas neste domingo, Minczuk atacou a "postura de permanente afronta à disciplina e à busca pela excelência" do grupo demitido e seu "descompromisso" com o trabalho, e disse que "a luta deles passou o tempo todo ao largo do essencial: a qualidade da música". Ele espera conseguir preencher as vagas abertas nas provas de seleção desse mês em Londres, Nova York e no Rio, nas quais "mais de cem músicos de diversos países já estão inscritos".

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