Músicos demitidos da OSB aceitam voltar, mas sob condições

Se acatada, contraproposta deve encerrar crise que se estende desde janeiro

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

01 de agosto de 2011 | 21h59

RIO JANEIRO - Depois de sete meses de impasses, a crise que calou a Orquestra Sinfônica Brasileira parece estar perto do fim: reunidos numa assembleia realizada no Sindicato dos Músicos do Rio hoje de manhã, os músicos demitidos em março decidiram aceitar a reintegração a seus postos de trabalho, oferecida pela nova direção artística há uma semana. Mas eles impõem várias condições, sendo a principal - que já constava da proposta da OSB - a garantia de que não vão mais ser regidos pelo maestro Roberto Minczuk, titular da orquestra há seis anos. Eles optaram por concordar com sua inserção numa outra orquestra dentro da Fundação OSB, menor, para execução de música de câmara. A contraproposta foi enviada para o Ministério do Trabalho, que está intermediando as negociações. As informações foram divulgadas há pouco pela presidente do sindicato, Deborah Cheyne.

 

A contraproposta foi aprovada por 19 votos a três (ao fim da reunião, que durou mais de três horas, restavam 22 dos 27 presentes, sendo 33 o total de demitidos por justa causa). Se ela for acatada pela direção artística, os músicos saem vencedores na queda de braço com a FOSB por duas razões principais: não tocarão mais com Minczuk, com quem mantêm relação delicada há pelo menos três anos, e não precisarão se submeter às avaliações de desempenho que motivaram a crise (as quais consideram humilhantes, e que motivaram solidariedade de músicos brasileiros e estrangeiros e do público). "Se a gente tem essa garantia das condições de trabalho, sem Minczuk e sem o novo regimento interno, que é obtuso, quem sabe conseguimos criar um novo paradigma? A gente está contando com a boa-fé deles", disse Deborah. Outra vitória do grupo foi o afastamento de Minczuk do cargo de diretor artístico, mês passado. Para os músicos, o acúmulo de funções lhe conferia poderes absolutos, o que ia na contramão do desejo de uma gestão mais democrática.

 

O texto aprovado pela assembleia tem outros dez pontos, entre eles: "os sete músicos veteranos, atualmente afastados das atividades artísticas, poderão optar por qual dos conjuntos orquestrais irão atuar" (a formação menor ou a OSB como ela é); "diretor artístico específico, eleito pelos músicos do novo corpo orquestral"; "estabilidade no emprego até o ano de 2016"; "incorporação ao salário o valor de R$ 2.166, que tem sido pago a título de cessão de direitos desde 2009"; "participação de ao menos um membro do novo corpo orquestral no Conselho Fiscal da FOSB, eleito pelos músicos do referido conjunto"; "no caso de o músico optar por não retornar aos quadros da OSB, deverá ter a justa causa revertida, com o consequente pagamento da indenização cabível e ainda com a manutenção por mais um ano de plano de saúde".

 

A OSB não toca desde dezembro de 2010. Os concertos de 2011 começam dia 10, segundo a programação oficial. Não se sabe se contarão com os novos instrumentistas integrados nas audições recentes, já que doze deles, estrangeiros, ainda não conseguiram vistos de trabalho. O problema levou a direção a lançar mão de músicos contratados como temporários.

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