Músicos demitidos criticam maestro da Osesp

Cinco dos sete músicos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) demitidos pelo maestro John Neschling na segunda-feira foram impedidos por seguranças, no começo da tarde de hoje, de entrar na Sala São Paulo, sede da orquestra. Fábio Cury, Luiz Garcia, Andrea Campos, Rogério Wolff e Tania Kier queriam conversar com o secretário de Estado da Cultura de São Paulo, Marcos Mendonça, a respeito de suas demissões e entregar papéis que, na opinião dos instrumentistas, comprovam o descontentamento de músicos em relação à política de trabalho de John Neschling.Segundo Fábio Cury, um dos demitidos e ex-presidente da associação de músicos da orquestra, a medida foi motivada por questões de política interna, uma vez que a associação tem colocado-se contra o maestro Neschling em diversas ocasiões: cinco dos sete demitidos faziam parte da organização. "Há algum tempo incidentes têm tumultuado a vida da orquestra e o maestro se nega a conversar, agindo de modo bastante autoritário", diz Cury.O auge da crise teria sido uma discussão, na semana passada, entre o oboísta Joel Gisiger e o diretor artístico assistente da orquestra Roberto Minczuck durante um ensaio, que resultou na suspensão de Gisiger. "Segundo o estatuto da orquestra, nenhum músico pode ser suspenso sem antes ser advertido por escrito", lembra Fábio Cury.A associação teria procurado, então, o maestro John Neschling. Ainda segundo Cury, o regente teria respondido que a associação não tinha nada a ver com a questão. "Ele também disse que, se fosse preciso, tinha respaldo da Secretaria de Cultura e do governo do Estado para mandar a orquestra toda embora e contratar outra no lugar. Que tinha liberdade para fazer o que bem entendesse."Assinaturas - Em 10 de julho, foi encaminhado à direção da orquestra um abaixo-assinado feito por 70 músicos, quase 90% do quadro da orquestra, reclamando de "gritos, humilhações e palavras de baixo calão" ditas pelo maestro. O documento também afirmava que tal atitude havia "desestimulado, frustrado e até intimidado os músicos, causando-lhes insegurança, inibindo-lhes a criatividade artística".Na segunda-feira, dia da demissão dos sete instrumentistas, havia sido encaminhada ao secretário Marcos Mendonça uma carta questionando os rumos do trabalho da orquestra. O documento, assinado por Cury, afirma que um dos fatores primordiais ao sucesso de uma orquestra é a relação entre os músicos e sua direção, mas "o uso da repressão, de ameaças, de intimidação e de demissões sumárias são sinais da decadência de uma liderança que não pode mais se impor pelos motivos que justificariam seu poder". A carta também diz que a orquestra tem perdido bons músicos devido "ao regime de opressão imposto pela administração".No fim da tarde de hoje, 12 músicos da orquestra, entre eles o spalla Cláudio Cruz, divulgaram uma carta afirmando que Fábio Cury não pode falar em nome da Osesp e o texto do abaixo-assinado enviado ao maestro Neschling havia sido alterado.Sem comentários - Os maestros John Neschling e Roberto Minczuck informaram, por intermédio da Assessoria de Imprensa, que não vão falar sobre o assunto. Também procurado, o secretário Marcos Mendonça não deu declarações a respeito. Segundo o advogado dos músicos, Marcel Nadal Michelmam, que foi recebido hoje pelo assessor técnico de gabinete Osmar Silveira, o secretário teria dito que prefere não se intrometer no relacionamento do maestro com os músicos.

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