Tannen Maury/ EFE
Tannen Maury/ EFE

Tom Petty morre após sofrer ataque cardíaco

Em comunicado, família do cantor confirmou o óbito no final da noite de segunda-feira, 2

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

02 Outubro 2017 | 16h52
Atualizado 03 Outubro 2017 | 12h20

O cantor americano Tom Petty morreu no final da noite desta segunda-feira, 2, após sofrer uma ataque cardícado na madrugada do mesmo dia. O músico foi encontrado desacordado em sua casa, e de lá foi encaminhado para um hospital em Malibu, na Califórnia, onde ficou internado até a confirmação da morte, informada pela família. Ele tinha 66 anos.

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"Em nome da família de Tom Petty, estamos desolados ao anunciar a morte prematura de nosso pai, marido, irmão, líder e amigo Tom Petty", disse o comunicado. "Ele morreu em paz às 8h40 PST (0h40 de terça-feira em Brasília) cercado por sua família, colegas de banda e amigos."

O músico foi encontrado inconsciente e sem respirar. Levado às pressas ao hospital UCLA Medical Center de Santa Mônica, os médicos foram capazes de recuperar sua pulsação, que acabou não se mantendo. 

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Este ano, Petty fez turnê comemorando os 40 anos de sua carreira com a banda The Heartbreakers, que ele pensava ser mesmo sua última. "Estou considerando que essa seja a última viagem ao redor do país", ele disse à Rolling Stone no ano passado. "Estamos todos com mais de 60 anos. Eu tenho uma neta agora e gostaria de vê-la o tanto quanto pudesse. Não quero passar a vida na estrada. Essa turnê vai me deixar afastado por quatro meses. Com uma criança pequena, isso é muito tempo."

Ele tinha outros dois shows marcados em Nova York para novembro.

Petty foi uma figura-chave do rock graças a álbuns memoráveis como Tom Petty & the Heartbreakers (1976), Damn the Torpedoes (1979), Full Moon Fever (1994). Entre seus principais hits, estão Free Falling e American Girl. 

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Geralmente à frente dos Heartbreakers, Petty surgiu para a música nos anos 1970 e acabou vendendo mais de 80 milhões de discos. Nativo de Gainesville, Flórida, com seu cabelo loiro desgrenhado e silhueta magra ele foi amado pelo seu hard rock melódico, vocais anasalados e um estilo sempre com os pés no chão. O Hall da Fama do Rock and Roll, que empossou a banda em 2002, se refere a eles como "duráveis, cheios de recursos, trabalhadores, admiráveis e não pretensiosos".

Como compositor, um dos grandes destaques do trabalho de Petty é a narrativa de superar desafios do cotidiano - em canções como Refugee, Even The Losers e I Won't Back Down.

"É meio que o tema clássico de muito do que fiz", ele disse à Associated Press em 1989. "Eu acho que a fé é muito importante para passar pela vida. É muito importante acreditar em si mesmo, em primeiro lugar. É uma coisa muito difícil de acontecer. Mas quando você chega lá, não tem preço."

Além de músico obsessivo, ele também era fã inveterado de música, e encontrou seus heróis da infância e viveu a fantasia de inumeráveis amantes jovens de rock. Ele ficou amigo do líder dos Byrds, Roger McGuinn, e ficou próximo de George Harrison, que toca em I Won't Back Down e se juntou a Petty, Bob Dylan, Roy Orbison e Jeff Lynne no supergrupo Traveling Wilburys. Nos anos 1980, Tom Petty e os Heartbreakers fizeram uma turnê pelos EUA com Bob Dylan. 

Em 2015, uma biografia feita com a colaboração do músico foi lançada nos EUA. Petty: The Biography, escrita pelo colega Warren Zanes, marcou a primeira vez que o músico falou abertamente sobre períodos sombrios da sua vida, especialmente nos anos 1990.

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Heartbreakers. O primeiro disco com a banda veio em 1976, mas o álbum auto intitulado não começou vendendo bem. Após uma turnê na Inglaterra com Nils Lofgren e certo reconhecimento no Reino Unido, um novo single foi lançado e a banda começou a escalar as paradas (American Girl só faria sucesso nos EUA 20 anos depois).

Em 1978, veio You're Not Gonna Get It!, que subiu ao #23 e gerou um problema com a gravadora MCA, que tinha sido vendida na época. Petty brigou e auto financiou Damn The Torpedoes, em 1979, que chegou ao #2 e vendeu mais de 3 milhões de cópias. 

Esses três primeiros álbuns já marcavam as características que fariam de Petty um dos grandes rockstars do mundo: as fundações do hard rock com a sensibilidade pop herdada dos anos 1960 e de Bob Dylan e dos Byrds, com destaque para a voz do músico e um talento notável para contar histórias.

Nos anos 1980, ele começou a explorar seu próprio talento ao se aventurar em colaborações com outras grandes lendas do rock, como Stevie Nicks, Dave Stewart (Eurythmics) e Robbie Robertson (The Band) -- mas notadamente com George Harrison, Roy Orbison, Jeff Lynne e o próprio Bob Dylan, grupo que se lançou como Traveling Wilburys em 1988.

No ano seguinte, veio Full Moon Fever, o primeiro álbum solo de Petty, e que inclui alguns de seus maiores sucessos, como Free Fallin' e I Won't Back Down. O disco chegou ao #3 nas paradas e adquiriu status de multi-platina.

Em 1990, os Wilburys lançaram seu segundo disco, e em 1991, Into the Great Wide Open, com os Heartbreakers, trouxe o hit Learning to Fly. Em 1993, um Greatest Hits marcou a despedida da banda da MCA, depois de anos de conflitos (produzido por Rick Rubin, o álbum ficou nas paradas americanas por seis anos).

Os anos 1990 trouxe novos desafios, e um dos grandes foi vencer o vício em heroína que ele adquiriu em 1996 após o rompimento de seu casamento de 20 anos com Jane Benyo. Os problemas não impediram uma série de álbuns, tanto com a banda como solo, e turnês de sucesso.

Em 2002, os Heartbreakers lançaram seu 11º álbum de estúdio, The Last DJ, Petty se casou novamente (com Dana York) e a banda foi induzida ao Hall da Fama do Rock and Roll. Em 2007, Peter Bogdanovich lançou Runnin' Down a Dream, documentário de quatro horas sobre a banda.

Foi só em 2014, com Hipnotic Eye, que a banda teve seu primeiro disco #1 nas paradas americanas. Foram 13 discos com os Heartbreakers e três álbuns solo.

Infelizmente, Tom Petty nunca se apresentou ao vivo no Brasil.

Notícias sobre a morte. Ao longo da segunda-feira, 2, a CBS News chegou a noticiar, mais cedo, a morte de Petty. Segundo a emissora norte-americana, a polícia havia confirmado a morte depois que os aparelhos que o mantinham vivo foram desligados. 

Em comunicado, contudo, os oficiais não confirmaram a informação. 

Antes da nota oficial da família, o site TMZ, o primeiro a divulgar o internamento do músico de 66 anos, disse que a vida de Petty estava "por um fio". / Com AP, EFE

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