Frederico Reder / Divulgação
Frederico Reder / Divulgação

Musical mostra como Wanderléa ditou a moda e antecipou atitudes nos anos 1960

Em espetáculo não convencional, produtor e diretor Frederico Reder diz procurar a novidade: "Não queríamos mais um musical biográfico”

Ubiratan Brasil / RIO, O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2016 | 05h00

Aos 70 anos, Wanderléa temia não ter fôlego para enfrentar o convite feito pelo produtor e diretor Frederico Reder: estrelar um musical. Mas a garota que, nos anos 1960, estabeleceu novos padrões musicais e comportamentais ao protagonizar a Jovem Guarda ao lado de Roberto e Erasmo Carlos, não cederia tão fácil e a resposta foi afirmativa. “Tomei a decisão certa, pois me divirto muito”, conta ela, que faz sete trocas de figurino em 60! Década de Arromba – Doc. Musical, em cartaz no Theatro Net Rio e com previsão de chegar a São Paulo em março.

Não se trata de espetáculo convencional. “Queríamos algo inovador e não mais um musical biográfico”, explica Reder, que trabalhou em cima do roteiro desenvolvido por Marcos Nauer. “Assim, criamos uma espécie de almanaque, em que todos os mais importantes eventos da década de 1960 são apresentados no palco e ilustrados por canções clássicas, interpretadas por 24 atores, cantores e bailarinos.”

De fato, em poucos minutos, o espectador descobre do que se trata esse novo gênero criado por Reder e Nauer: uma divertida exposição de imagens (projetadas em telão) que mostram fatos decisivos da história da humanidade, como o primeiro homem a sobrevoar a Lua ou o assassinato do presidente John Kennedy, até assuntos amenos mas não menos importantes, como a ascensão de Celly Campello e, claro, o despontar de Wanderléa.

Foi em 1965, quando a TV Record estreou o Programa Jovem Guarda, que logo se tornou uma febre entre os jovens, que lotavam o auditório da emissora, na Rua da Consolação. Foi uma grande sacada – afinal, Elis Regina e Jair Rodrigues, amparados pelo Zimbo Trio, tinham seu público cativo com O Fino da Bossa, enquanto Elizeth Cardoso arrasava com Bossaudade. Além de encantar a juventude pelo gosto musical, Wanderléa, Roberto e Erasmo ainda ditavam moda, com calças e jaquetas de brim e os chapéus de cowboy – sem se esquecer da minissaia e dos shortinhos da cantora.

“Wanderléa é a protagonista da década de 1960, pois ditava moda com suas roupas, minissaias e ainda foi pioneira ao botar silicone”, comenta Reder que, ao lado de Nauer, criou um suspense para marcar a primeira aparição da cantora no palco: depois de uma hora e meia de números bem encenados e, detalhe importante, muito bem cantados, Wanderléa desponta no palco por meio de um elevador, que a leva para o alto da escada. Ali, em meio a uma ovação da plateia, ela canta Ternura, a música que sedimentou seu sucesso e que inspirou o apelido pelo qual ainda é conhecida, Ternurinha.

O final da canção decreta o encerramento do primeiro ato e a imagem de uma Wanderléa perfeita (magra, ágil, exuberante) permanece na retina de seus fãs. Na volta, ela alterna números para cantar mais sucessos: Prova de Fogo (em que aparece em uma moto), um medley de Eu Te Amo e Nossa Canção, além de Tempo de Amor até o final empolgante, em que ela passa pela plateia extasiada enquanto interpreta Foi Assim. O encerramento traz outro hit da Jovem Guarda, É Preciso Saber Viver.

Wanderléa deixa a cena em estado de graça. “E pensar que eu, filha de um pai mineiro e de origem árabe, brigava para usar saia curta”, diverte-se ela que, além de um novo CD (veja abaixo), prepara sua autobiografia, a ser publicada em 2017, pela editora Record, trabalho que desenvolve com o repórter do Estado Renato Vieira. “É fascinante voltar ao passado.”

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