Agustin Marcarian/ Reuters
Agustin Marcarian/ Reuters

Música não pode parar: orquestras infantis argentinas tocam em meio a confinamento

Instrumento unido a um computador permite que integrantes da orquestra juvenil toquem juntos online

Lucila Sigal e Miguel Lo Bianco, Reuters

04 de agosto de 2020 | 09h33

Marcela Sosa tem sua própria fuga do tédio de um isolamento por coronavírus na pequena casa de Buenos Aires que a menina de 12 anos compartilha com outras seis pessoas: seu violino e um computador conectado que permite que integrantes de sua orquestra juvenil toquem juntos online.

A capital da Argentina e arredores estão sob confinamento desde 20 de março, um dos mais longos do mundo, com rígidas restrições aos movimentos e reuniões para tentar limitar a propagação do vírus. Mas as infecções por coronavírus aumentaram nas últimas semanas, agora ultrapassando 175 mil em todo o país.

“Estou sempre ansiosa para entrar no (aplicativo de bate-papo por vídeo) Zoom, ver meus colegas, meus professores e aprender coisas novas”, disse Sosa, que toca na orquestra de La Boca, uma das 13 que compõem um programa para crianças e jovens em Buenos Aires.

Cerca de 1.500 jovens de 6 a 19 anos, de áreas de baixa renda, participam do programa de música de 22 anos. Quando ocorreu a pandemia, os professores tiveram que reinventar suas aulas para lidar com a internet lenta e fazer com que as crianças tocassem juntas online.

“Eles estão super conectados. Na verdade, eles aprendem mais, estão tocando melhor do que quando nos vimos”, disse Clarisa Orfila, professora de viola, acrescentando que a música se tornou um caminho para muitas crianças descontraírem.

As aulas usam música e vídeo para envolver as crianças e ajudar a criar um senso de comunidade em um momento de distanciamento social forçado, mesmo que algumas delas não tenham acomodações espaçosas.

 

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