Música eletrônica invade São Paulo

Uma escada localizada no centro do pátio principal da faculdade Santa Marcelina dá acesso ao anfiteatro da instituição. Ao descê-la, avista-se à esquerda as poltronas e o palco, à direita, uma portinhola lateral de cerejeira identificada por uma pequena placa: Studio PANaroma. Na soleira da porta é possível ouvir pianos dialogando com buzinas, sinos com percussão aparentemente sem ritmo e sons inquietantes sintetizados por computador. Atrás daquela porta músicos criam a mais pura música eletroacústica. Um gênero que, em tese, gera profundo estranhamento na primeira audição. No qual o padrão harmônico e melódico parece não seguir qualquer lógica. Entrentanto, como indica Flo Menezes, compositor e professor do grupo, deve ser considerado o principal ramo da composição erudita contemporânea. No PANaroma, nome retirado das páginas de Finnegan´s Wake, de James Joyce, produz-se música de vanguarda. O principal estúdio de música eletroacústica do Brasil, criado pela Santa Marcelina em convênio com a Unesp em 1994, foi fundado e é coordenado por Menezes, um paulistano de 38 anos com feições de cientista maluco. Os músicos que lá atuam fazem um trabalho similar ao que o alemão Stockhausen, maior compositor "erudito" vivo, hoje com 71 anos, desenvolveu em sua brilhante carreira.Nesta semana o público paulistano terá ótima oportunidade para conhecer o que é música eletroacústica, também usualmente denominada música eletrônica (há um debate intelectual de longa data a respeito de qual termo adotar). Na sexta-feira, a Sala São Paulo, casa da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), abre pela primeira vez as suas portas para um espetáculo de música eletroacústica. O evento faz parte da série Percussão e Invenção, organizada pelo percussionista Joaquim Abreu com patrocínio do Instituto Itaú Cultural. Com as presenças de Flo Menezes, e do pianista Paulo Álvares, o repertório deste show destaca o clássico Kontakte, de Karlheinz Stockhausen, obra substancial da composição contemporânea realizada entre 1959 e 1960. A peça será executada no Brasil, como Stockhausen a pensou, pela segunda vez. A primeira também ficou a cargo de Flo Menezes (difusão eletroacústica e regência), Paulo Álvares (piano) e Joaquim Abreu (percussão), em 1998. Há cerca de duas semanas, enviado pelo compositor alemão, o tape original chegou ao País. "Infelizmente estamos estreando uma das principais músicas deste século com uma defasagem de 40 anos. Só posso explicar isto levando em consideração as dificuldades encontradas por sermos um País periférico", desabafa Menezes. As outras composições previstas para o concerto são: Profils Écartelés, de Menezes, Cartas Celestes 11, nova composição de Almeida Prado e Transición II, de Maurício Kagel. Música Eletroacústica na Sala São Paulo - Praça Júlio Prestes s/nº, sexta-feira (25/8) às 21h. Ingressos a R$ 10 e R$ 5 para estudantes e idosos. Tel: (11) 221-3980.

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