Música eletrônica ganha dois novos selos

A música eletrônica nacional começa a tomar novos rumos. Dois novos selos, Negativ Music e Electro Coperativa Records, chegam ao mercado com diferenciais que prometem abrir espaço para DJs da nova safra e promover intercâmbio com DJs já consagrados no exterior. O tempo na cena eletrônica é de expansão e o surgimento dos selos independentes fura o esquema fechado das grandes gravadoras e democratiza a produção da música. É uma alternativa de mercado que vem crescendo desde 99, quando o DJ mineiro Anderson Noise criou em parceria com Renato Cohen o Noise Music. Por meio do selo, a dupla lançou ´Pontapé´, uma das músicas feita por Cohen que está sendo tocada pelo top DJ Carl Cox na Europa e aparece no site de Cox como uma das mais quentes do ano. O DJ recebeu das mãos de Noise um vinil com o som. Talvez se ´Pontapé´ estivesse sido entregue a Cox fora do formato de um selo, não estaria tão bem cotada. A fórmula de selos independentes já é mais do que usada na Europa e o resultado é positivo. Precisa-se de uma boa idéia na cabeça, uma aparelhagem de qualidade e a ajuda de uma distribuidora para investir no negócio. O mercado brasileiro, que tem registro de 12 selos de música eletrônica, ganha mais dois na próxima semana: o Negativ Music e o Electro Coperativa Records. Por trás do Negativ Music estão os DJs Paulo Pittet, que assina seus sets com o codinome Bio Booster, e Marcelo Gallo, um dos integrantes da banda eletrônica Nude. Pittet e Gallo formam também o duo Negativ Men, que produz tecno de qualidade e que, para divulgar e popularizar suas faixas, as entrega a DJs para a produção de remixes. No balaio estão nomes de peso como Mau Mau e Renato Cohen e os italianos Random Noize e Markantonio, que estão produzindo novas versões das músicas da dupla. Para vendê-las no Brasil e no mundo criaram o Negativ Music. "Quero mostrar o novo som do meu país para os europeus", diz Paulo que, em junho, trará da Itália o produtor Random Noize para fazer gigs em festas armadas em SP, Rio e BH. O Negativ Music será distribuído por Edinei Oliveira, dono da TR Music, a primeira distribuidora do Brasil com o foco na e-music. Por trás de outro novo selo está Dudão Melo, ex-gerente artístico do projeto Samba Loco, da Trama, que deixa a gravadora para materializar uma antiga idéia: "criar um selo independente porta-voz dos DJs". Para isso criou o Electro Coperativa Records que vai trabalhar com sub-selos que irão englobar todas as vertentes do eletrônico - inicialmente trance, chill out e tecno. A fórmula é boa. Dudão vai pegar como sócios gente que entende do assunto, DJs e produtores, para trabalharem juntos e conseguirem boa logística, distribuição e ótimo marketing. "As gravadoras às vezes não dão muita importância aos DJs, e já que o mercado ainda não é totalmente pop deixavam eles meio de lado", diz Dudão, que escalou um time de peso como sócio. É gente andando com seus próprios pés, que respira a cena e vê um grande mercado na seara eletrônica.

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