Música Brasil já planeja ampliar próxima edição

A Feira Música Brasil chegou ao fim na noite de anteontem, no Recife Antigo, com os espetáculos do multiartista Antonio Nóbrega, no Teatro Santa Isabel, e um encontro de forró liderado por Moraes Moreira no palco do Marco Zero. Nóbrega levou ao teatro o belo Nove de Frevereiro, inspirado em seu projeto em homenagem ao centenário do frevo e com o qual continua em turnê. O diretor de fotografia Walter Carvalho está na cidade e começou a registrar material para o DVD Nove de Frevereiro, como o arrastão de frevo realizado no dia do centenário e o espetáculo no Santa Isabel. Amigo de Nóbrega, Carvalho já havia dirigido o DVD Lunário Perpétuo. Agora, os dois vão cumprir, até o fim do carnaval, uma agenda intensa de entrevistas com importantes personalidades da cultura pernambucana, para abastecer o documentário que entrará nos extras do DVD. No balanço final, a Feira Música Brasil, promovida pelo MinC e BNDES, e patrocinada pela Petrobrás, mostrou bom desempenho, até se levarmos em consideração de que foi arquitetada em tempo recorde de seis meses. Mas ainda há ajustes a serem feitos para a próxima edição, mais no que diz respeito à organização do propriamente à estrutura da feira. No fim, a Associação Brasileira da Música Independente (ABMI) lançou uma carta aberta, em que propõe alguns pontos para serem debatidos, como a criação de mecanismos de financiamento para a música independente, a equiparação tributária dos bens culturais, entre outros temas - os mesmos, aliás, que coincidentemente foram levantados em uma conferência promovida pelo ministro Gilberto Gil e representantes do BNDES. Os conteúdos - as feiras de negócios e de produtos, as conferências, as rodadas de negociações e a programação musical - atraíram o público. O intercâmbio entre músicos, produtores e empresas funcionou bem. Artistas independentes de toda parte do Brasil se fizeram conhecer, distribuindo seus CDs para gente da área e estabeleceram contatos. Falou-se, pensou-se e discutiu-se a música. Não houve espaço para glamour: era preciso se refletir economicamente o setor. As grandes gravadoras foram ausência sentida nesta primeira edição. Segundo Carlos de Andrade, presidente da ABMI, realizadora da feira, elas foram convidadas, mas não aderiram. Cerca de 2.100 mil pessoas circularam pelos auditórios, corredores e palcos. Delas, 900 estavam inscritas nas conferências e rodadas de negociações. A área de negociações foi um dos carros-chefes do evento. De acordo com o Sebrae, as rodadas tiveram negócios em torno R$ 8 milhões, em 450 reuniões realizadas durante dois dias. Além disso, 75 empresas tiveram seus planos de negócios avaliados pelos analistas do Sebrae. Já nas rodadas de investimento do BNDES, o banco calcula uma prospecção de R$ 13 milhões entre investimentos e financiamentos. Para Paula Porta, coordenadora do Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura (Prodec) e uma das idealizadoras da feira, o conceito todo foi acertado. "O conteúdo da feira está todo correto, o ambiente de negócios funcionou e a parte de produtos também. Todas as conferências estavam cheias e trouxemos nove delegações estrangeiras", avaliou. Para a próxima edição, que começa a ser planejada em abril, Paula diz que haverá ampliação dos mesmos conteúdos, das rodadas de negociações e do BNDES, além da entrada de novos parceiros. E as conferências atraíram músicos, produtores, representantes de selos, instituições e associações, atentos aos caminhos do mercado.

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