"Music", o novo barulho de Madonna

São quase 20 anos de megaestrelato, quase sempre lançando tendências. Ela influenciou a música e a moda, ajudou a impulsionar o fenômeno dos DJs e a estética club, levou a cultura gay ao mainstream, derrubou tabus variados e chacoalhou o comportamento jovem mundial. É quase difícil de acreditar que, depois de tanta coisa, a chegada de um novo disco de Madonna ao mercado ainda provoque o barulho que Music está causando. O novo álbum da pop star chega às lojas de todo mundo nesta terça-feira com missões variadas: unificar tribos (DJs e clubbers do underground com o público das emissoras de rádio); provar que a eletrônica é um gênero que veio para ficar; e tentar desviar a atenção dos adolescentes das armadilhas da atual onda teen no pop. Music vai ter também de mostrar que Madonna ainda é o nome mais poderoso do pop internacional. O disco é uma continuação de Ray of Light, de 1998, o primeiro álbum dançante da cantora desde a época de Vogue, no início da década de 90. Com faixas ainda mais eletrônicas e uma produção que experimenta mais a fundo com barulhos, ruídos e efeitos, o álbum já estava chamando atenção antes mesmo de vazar para a Internet, via Napster. Produzido pelo até então desconhecido Mirwais e William Orbit (que além de Ray of Light assinou os singles Beautiful Stranger e American Pie), o disco tem tudo para virar mais um fenômeno de Madonna.Se a pop star continua sem a capacidade de emplacar no cinema, ela parece estar cada vez mais segura de seus passos na música. Para evitar a repetição da sonoridade do álbum anterior, ela decidiu apostar no talento de Mirwais, cujo trabalho ela ouviu por meio de uma fita demo mandada para sua gravadora, Maverick.Antes de chegar a um estágio muito avançado da gravidez, ela fez hora extra para produzir videoclipes e o material promocional para o disco em fotos assinadas por Jean Baptiste Mondino (que dirigiu o clipe de "Open Your Heart", nos anos 80) em que ela aparece com look de caubói. Concursos de karaokê - Nos Estados Unidos, a expectativa é grande. Apesar do vazamento das faixas pela internet (todas elas estavam disponíveis havia vários dias), as grandes lojas estão apostando na força de Madonna. Megastores como a Virgin e Tower vão estar abertas depois da meia-noite de segunda-feira, fazendo promoções que vão da distribuição de chapéus e cintos de caubói com o nome da pop star a concursos de karaokê. Ainda é cedo para saber, mas ao que tudo indica (o single de Music está no primeiro lugar da parada da Billboard e também na Inglaterra), o vazamento de Music antes do previsto serviu para aguçar ainda mais a vontade dos fãs de comprar o disco nas lojas. "Fiquei muito impressionada quando uma versão não mixada de Music foi parar na Internet, porque não temos a menor idéia de como isso aconteceu", disse a cantora à revista americana Rolling Stone. "Enviamos um comunicado à imprensa avisando que o trabalho ainda não estava completo e a história toda foi exagerada, todo mundo passou a dizer que sou contra a Napster. Não tenho esse tipo de postura." Além de ter sido o primeiro álbum que saiu do controle de Madonna antes da hora, o trabalho tem outras diferenças de seus lançamentos anteriores. Pela primeira vez a pop star gravou fora dos Estados Unidos e conduziu a produção com intervalos. A "europeização" da sonoridade e as experimentações com os efeitos na voz dela também são novidades. "Eu estava me sentindo como um animal saindo da jaula", revelou Madonna à revista inglesa The Face ao ser perguntada sobre o humor dela durante a produção. "Estava levando uma vida muito discreta, sentia falta de dançar, de estar na estrada, de sentir essa energia." "Madge" - Energia, aliás é o que não falta em Music, reflexo de sua nova vida na Inglaterra, onde ela é carinhosamente chamada de "Madge" e mora com o diretor inglês Guy Ritchie (de Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes). Os dois se conheceram em uma festa na casa de Sting, em 1999, e, segundo ela, foi amor à primeira vista. Em agosto, Madonna deu à luz em Los Angeles a Rocco Ritchie. "Madonna nunca esteve tão feliz", garante a atriz Debbi Mazar, uma das mais antigas amigas da pop star, que aparece no clipe de Music. A cantora também admite que está um pouco menos ligada à espiritualidade que serviu de inspiração para Ray of Light. "Eu tinha acabado de ter minha filha, o que foi uma experiência muito marcante", disse ela sobre o período "zen" que também foi parar nas telas, na bomba Sobrou Pra Você (em que ela interpretava uma professora de ioga). A fase feliz deve continuar com o projeto de uma nova turnê, a primeira desde The Girly Show, que passou pelo Brasil em 1993. Madonna está planejando fazer algumas apresentações em pequenos clubes em Nova York (ela fez uma aparição relâmpago no Roxy, dias antes do lançamento de Ray of Light, acompanhada de Orbit) e Londres. No ano que vem, uma série de shows "de verdade" deve, finalmente, acontecer. "Mas preciso me preparar muito, porque quero fazer uma coisa muito especial", diz a cantora na "The Face". "Com certeza vai ser algo bem teatral." Antes disso, Muita Madonna ainda vai aparecer em todas as formas de mídia pelo mundo.

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