Musa do pop italiano faz show em São Paulo

Rostinho delicado, corpo atraente, repertório suportável. Tudo o que a cantora Laura Pausini parecia ter desde que soltou a voz para ganhar a vida pela primeira vez, no início dos anos 90, não ia além do que um punhado de artistas internacionais - que surgem com prazo de validade determinado por suas próprias gravadoras - possuem. Um ou dois anos de sucesso no Brasil e o investimento de sua produção já seria recompensado. Então a italiana deu uma rasteira no próprio destino. Dos cinco álbuns que lançou até agora, vendeu 16 milhões de cópias e arrebatou 160 discos de platina. Seu crescimento, comprovado por estes números inimagináveis em tempos de indústria fonográfica estremecida, a tirou da sessão "produto pop inofensivo". Sua aceitação, principalmente européia e em países da América Latina, a levou ao topo da lista de artistas mais importantes da multinacional Warner Music. Suas apresentações em São Paulo estão marcadas para os próximos dias 25, 26 e 27, no Credicard Hall. A pleno vapor, chega aos palcos brasileiros ao mesmo tempo em que seu sexto álbum é distribuído nas lojas. Intitulado Best Of Laura Pausini, sua primeira coletânea vem com canções que aparecem regravadas em novos arranjos. Parceria com Gil - Uma das faixas é cantada em parceria com Gilberto Gil que, depois de entrar em estúdio com a cantora, chegou a escrever uma carta em que não esconde sua surpresa com as qualidades técnicas da artista. Outro disco de Laura vem sendo produzido em estúdio para ser lançado em março de 2002. Todo registrado em Los Angeles, será o primeiro álbum inteiramente em inglês, o que revela suas intenções de obter os mesmos êxitos no mercado americano.O conservador e crítico espectador italiano não se impressiona com números e resiste bravamente a uma aceitação do trabalho de Laura. Na Itália, para estes, não vale ser só intérprete. É preciso compor, como fazem os artistas conhecidos por lá como "cantautores". Em casa, Laura Pausini joga no segundo time. Ao menos por um momento a cantora sentiu-se em estado de graça junto a seus compatriotas. Em 1993, quando tinha 18 anos, inscreveu-se no Festival da Canção de San Remo para competir com a canção La Solitudine. Foi preciso só mais um ano para que recebesse o The World Music Award, uma espécie de Grammy europeu, na categoria "artista de maior vendagem na Itália". Mas há histórias antes disso. Pouco depois de largar a mamadeira, seu pai, Fabrizio, também músico, a levava para assistir às suas apresentações. Com 12 anos não era ainda uma profissional, mas acumulava quatro anos de experiências cantando esporadicamente em palcos de Bolonha. Por esta época, gravou um disco sem compromisso chamado I Sogni di Laura. E nem imaginava o estrondo que estava por vir.

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