Mundo pop embarca na política

O que no ano passado parecia não passar de contribuições esparsas impulsionadas ainda pelos efeitos dos atentados de 11 de setembro, em 2003 confirmou-se como uma das maiores ondas políticas do pop nos últimos tempos. As campanhas, críticas e protestos envolvem nomes como Bono Vox, Madonna, Blur, George Michael, Limp Bizkit, entre muitos outros.A crise política dos Estados Unidos com oIraque é um dos principais focos do pop, mas outras questões também vêmganhando espaço, com a África mantendo posição importante. Amovimentação principal vem de Bono, que anunciou no fim desemana o projeto DATA, abreviação para Debt, Aids, Trade,Africa. "Quando se tem 2,5 milhões de pessoas morrendo de aidsna África em um ano, não é mais uma causa e sim uma emergênciaglobal", disse o líder do U2 em um artigo publicado pelo jornalinglês The Sun.O músico, que há poucos dias foi homenageado pelaAcademia Nacional de Artes e Ciêncas Fonográficas, nos EstadosUnidos, quer alertar o mundo para a urgência do problema. "Éhora da Inglaterra e do resto da Europa fazerem sua parte", dizele. "A história vai julgar a nossa reação a esta praga moderna é um teste moral da atualidade." Por essas e outras, Bono foi apontado candidato ao prêmio Nobel da paz.Em menor escala, a África também é o assunto doBelle & Sebastian, que pretende arrecadar fundos para ajudar acombater a fome da Etiópia. Eles vão participar de um show aolado da banda The Delgados no Royal Concert Hall de Glasgow."Talvez não seja o melhor momento, com toda a crise do Iraque", diz o líder da banda, Stuart Murdoch. "Mas no caso da Etiópiaa questão é bem simples."Ainda na Inglaterra, o grupo de "bubblegum pop" Blueanunciou que quer produzir uma nova versão do Band Aid, umagravação à la We Are World realizada em 1984 com aparticipação de David Bowie, Paul McCartney e George Michael,entre outros.George Michael, que vem se pronunciando com freqüênciacontra um eventual ataque ao Iraque, implora para que elesdesistam da idéia. Ele acha que os astros que estão no topo daparada inglesa de hoje são "muito superficiais" para fazer comque um projeto como este tenha qualquer peso. Já à cantora Ms. Dinamyte, ele deu permissão para que cantasse uma versão de sua Faith em protesto contra a guerra, na entrega dos Brit Awards.A guerra vai ser também um dos temas principais donovo disco do Blur, Think Tank, que chega ao mercadointernacional em 5 de maio. De acordo com uma entrevista deDamon Albarn ao semanário New Musical Express, o álbum vaifalar sobre "política e amor".Enquanto isso, nos Estados Unidos, ainda sob os rumoresde que os apresentadores do Grammy foram "aconselhados" adeixar os discursos políticos de lado, Chuck D, do Public Enemy,tomou a frente no Rock the Vote Awards, realizado em Nova Yorkno fim de semana. Ele chamou de "ridícula" a tentativa da academia desilenciar os artistas e fez duras críticas ao presidente George W. Bush.Madonna, que mais uma vez vem gerando polêmica antes mesmo de lançar um novo trabalho, revelou trechos do clipe de American Life também no dia do Grammy. Apesar dos looks militares escolhidos para o vídeo, a música não fala nada da guerra, mas faz críticas ao consumismo americano.Outras questões também estão na mente dos artistas nosEstados Unidos. Fred Durst, do Limp Bizkit, por exemplo, querorganizar um evento beneficente às famílias dos mortos noincêndio do clube de Rhode Island, durante um show da bandaGreat White.

Agencia Estado,

26 de fevereiro de 2003 | 14h06

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