Mulher de Mao Tsé-Tung inspira ópera nos EUA

A trágica vida da mulher do líder comunista chinês Mao Tsé-Tung virou ópera. Madame Mao estreou no último sábado na Santa Fé Ópera, no estado americano do Novo México. A ópera traça a biografia de Jiang Qing, uma atriz nascida em 1914 que, ainda jovem, casa-se com Mao, 21 anos mais velho do que ela.Jiang se tornou uma das figuras mais poderosas da China após a revolução socialista de 1949. E, após a Revolução Cultural, perseguiu inimigos políticos e cometeu brutalidades contra artistas e intelectuais. Depois que seu marido morreu, em 1976, ela foi condenada à morte, mas a pena foi revista, e ela, poupada. Jiang Qing se suicidou em 1991."Nosso objetivo foi fazer algo dramático", diz o diretor de Madame Mao, Bright Sheng, um compositor chinês que vive nos Estados Unidos e dá aulas na Universidade de Michigan. A principal marca da ópera, segundo ele, não é a exatidão histórica. Sheng tentou "entrar em sua mente ? por que ela ri, por que ela chora".Nessa linha, Madame Mao oferece uma visão algo complecente sobre a mulher forte da China de Mao. Logo na cena de abertura, Jieng Qing aparece olhando para seu próprio corpo pendurado, sem vida: "Sim eu sou ela. Abusada, traída por todos os homens, que me ensinaram como odiar". O fato de a mulher de Mao Tsé-Tung ter sido vítima da China dominada por homens, segundo o diretor Sheng, é o que dá à sua ópera um toque de feminismo, ainda que através de uma personagem com a qual o público não se identifique.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.