'Muitos ficaram e ficarão de fora e nós ficamos', diz diretora de ‘Que Horas Ela Volta?’ sobre Oscar

Filme de Anna Muylaert não está na lista dos 9 longas que disputam a estatueta de melhor produção estrangeira

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2015 | 20h45

O filme brasileiro Que Horas Ela Volta?, dirigido pela paulistana Anna Muylaert, está fora da disputa do Oscar na categoria de melhor produção estrangeira. O longa não consta na lista de novos finalistas liberada pela Academia de Artes e Ciências de Hollywood, responsável pela cerimônia, na noite da quinta-feira, 17. Agora, são nove filmes com possibilidade de disputar a estatueta. Destes, quatro ainda serão cortados para a lista final com cinco indicados, revelada apenas no dia 14 de janeiro. A cerimônia de entrega dos prêmios será realizada no dia 28 de fevereiro, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

“É claro que teria sido ótimo colocar um filme brasileiro no Oscar depois de tanto tempo. Mas não fizemos Que Horas Ela Volta? com esse objetivo e sim o de fomentar discussões dentro da sociedade brasileira”, disse Anna Muylaert. “Sei que, entre os concorrentes, há muitos grandes filmes e apenas 5 vagas. Muitos ficaram e ficarão de fora e nós ficamos. Hoje, pode parecer decepcionante, mas isso não muda em nada o tamanho de nossa realização.”

A lista completa de filmes que ainda disputam a vaga para o Oscar é: The Brand New Testament (da Bélgica), Embrace of the Serpent (da Colômbia), A War (da Dinamarca), O Esgrimista (da Finlândia), Mustang (da França), Labirinto de Mentiras (da Alemanha), Filho de Saul (da Hungria), Viva (da Irlanda) e Threeb (da Jordânia).

Havia uma grande espectativa por parte do público e da crítica de que o longa de Muylaert fosse capaz de repetir o feito de Central do Brasil, drama dirigido por Walter Salles, que concorreu na categoria de melhor filme estrangeiro em 1999. Ainda existe a possibilidade, contudo, de que que o filme seja indicado em outras categorias. Sobretudo no caso da atriz Regina Casé. A performance dela como Val, celebrada, por exemplo no festival Sundance, poderia repitir o feito da protagonista de Central, Fernanda Montenegro, que acabou entre as cinco selecionadas como melhor atriz naquela disputa.

O filme também não apareceu entre os finalistas para o Globo de Ouro, eleito pelos críticos estrangeiros que trabalham como correspondentes em Hollywood, mas é finalista no prestigiado Critic’s Choice Awards, promovido pela crítica norte-americana. “Tivemos uma carreira internacional gloriosa. Estreamos em quase toda a Europa e América do Norte”, disse a diretora. “Agora, vamos para a Ásia.”

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