Mozart dá continuidade ao Festival Amazonas

Estréia domingo no Teatro Amazonasuma nova produção de D. Giovanni, de Mozart, a quartaatração que dá continuidade ao Festival Amazonas de Ópera, emsua sexta edição, após Cavalleria Rusticana, de Mascagni,A Valquíria, de Richard Wagner, e Zap! O Resumo da Ópera, espetáculo multimídia assinado por Marcelo Tas e Mara Campos.Serão quatro apresentações, antes da estréia de Condor, dobrasileiro Carlos Gomes, que ganha sua primeira montagembrasileira após mais de um século.A montagem de D. Giovanni traz no elenco nomes docanto lírico nacional freqüentemente associados ao repertóriomozartiano. Paulo Szot volta a interpretar o papel-título, aolado do barítono Sandro Christopher (Leporello), as sopranosAdélia Issa (D. Anna), Rosana Lamosa (D. Elvira) e Magda Painno(Zerlina), o tenor Luciano Botelho (D. Ottavio), o baixo Pepesdo Valle (Comendador) e o barítono Eduardo Amir (Masetto).A direção musical será de Marcelo de Jesus, que optoupor unir as duas versões escritas por Mozart, a de Praga e a deViena, baseando-se na edição Bärenreiter, que se atém aosmanuscritos do compositor. "Ao se fazer isso, ganha-seexplorando um caminho novo e buscando no passado, algo maispróximo às origens desta obra genial que será ouvida na suatotalidade", diz o regente, que no ano passado dirigiu outroMozart em Manaus, A Flauta Mágica.Mito - A direção cênica está a cargo de Iacov Hillel,que, baseando-se na afirmação de Giorgio Strehler, segundo quem"Mozart é o presente, o passado e o futuro", procura ressaltaras relações da história com o presente. "Mozart e Da Ponteutilizaram o mito de D. Juan para fazer um agudo retrato dasrelações sociais de sua época: ricos aristocratas, burguesiadecadente, camponeses, criados. Em termos estruturais, estasrelações não mudaram muito 200 e tantos anos depois, o que fazde D. Giovanni espantosamente contemporânea", diz Hillel.Os figurinos pensador por Hillel e Tânia Marcondes sãocontemporâneos, em outras palavras, ternos Armani para um D.Giovanni seguido de perto por seu guarda-costas Leporello."O cenário é estrutural e funcional, com peças móveis quepermitem diversas alterações para sugerir os locais da ação, compequenos bibelôs que fazem a referência ao passado, passando aidéia de que nada mudou."Assunto polêmico, extrair a ação do contexto em que foiambientada, neste caso, segundo Hillel, justifica-se na presençade elementos do próprio libreto. "Diferentemente do D. Juande Moliére ou de El Burlador de Sevilla de Tirso de Molina,que foram as fontes clássicas, o D. Giovanni de Da Ponte nãotem qualquer aspecto local ou temporal, o que faz a ópera tãopoderosa e atual."Outro aspecto que as direções musical e cênica afirmamquerer ressaltar diz respeito à presença do humor e do drama,juntos, no texto de Da Ponte. "A ópera D. Giovanni édramática e cômica ao mesmo tempo, é um retrato das relaçõeshumanas e uma crítica social", afirma Hillel. "Busco na músicao ambíguo entre as partes sérias e as partes cômicas do ´dramagiocoso´ oferecido pelos autores", indica Marcelo de Jesus.Carlos Gomes - Com estréia prevista para o dia 18,também no Teatro Amazonas, Condor será a última produçãooperística da edição deste ano do festival que, no mais, aindatem concertos programados para o Dia das Mães - com uma misturade repertório da música popular com trechos de óperas - e outropara o encerramento.Apresentada no Brasil pela última vez, em sua versãointegral, no fim do século 19, Condor será regida por LuizFernando Malheiro, diretor artístico do festival e responsável,nos últimos anos, pela execução e resgate de outras obras docompositor como Fosca e Maria Tudor. "Programamos aópera dentro da proposta de escolher obras brasileirasnegligenciadas, como também ocorreu com O Guarani, dois anosatrás", explica Malheiro.A direção cênica ficará a cargo do alemão BrunoBerger-Gorski, que faz uma série de referências, com autilização de tecidos transparentes, que remetem ao universo dasmandalas, a elementos do mundo muçulmano. O elenco será compostopelas sopranos Celine Imbert (Odaléa) e Solange Siquerolli(Adin), o tenor Fernando Portari (Condor), o baixo José Gallisa(Almazor), a meio-soprano Mariana Cioromilla (Zuleida) e obarítono Josenor Rocha (O Mufti).

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