Mostra resgata obra de Geraldo Filme

Personagem fundamental do samba com sotaque paulista, autor de mais de 200 canções, Geraldo Filme morreu há dez anos, período em que praticamente não saiu do limbo. O resgate, imprescindível, ocupa praticamente todo o Sesc Ipiranga com o projeto Geraldo Filme - Carnaval e Tradição. Durante todo o carnaval o espaço estará ocupado por exposição de fotos, exibição de documentário, rodas de samba, espetáculos infantis. Mas, a cereja do bolo só poderá ser degustada durante dois dias, nesta sexta e no sábado: o musical Da Senzala à Favela, que conta de forma alegórica a relação entre a vida e a obra de Filme, com a cantora Marília Medalha, parceira musical de Vinicius de Moraes e Toquinho e intérprete de Ponteio, de Edu Lobo, em 1967. Ela vai cantar sambas como Silêncio no Bexiga e Tradição. "Vai cantar também cantos de escravos que Geraldo gravou com Clementina de Jesus", conta Heron Coelho, coordenador do projeto. A interação com o teatro, aliás, era uma das características da obra de Geraldo Filme, que foi grande amigo de Gianfrancesco Guarnieri (o musical mostra a ressonância que existe entre as canções do sambista e Arena Conta Zumbi) e Plínio Marcos (com quem compôs para as peças Balbina de Iansã e Nas Quebradas do Mundaréu). A ocupação generosa do projeto no Sesc Ipiranga coincide com o conceito que Geraldo Filme tinha do samba. Para ele, o ritmo acabou confinado nas escolas de samba, que privilegiam o espetáculo. Ex-integrante da Vai-Vai, da Unidos do Peruche, da Coloração do Brás e da Paulistano da Glória, sempre combateu a elitização do ritmo. Também ficava furioso quando diziam (na verdade, foi Vinicius de Moraes) que São Paulo era o túmulo do samba. Injuriado, rebatia com a música que compôs no início da carreira: "Eu vou mostrar que o povo paulista /Também sabe sambar /Eu sou paulista /Gosto de samba /São Paulo tem gente bamba /Eu sou paulista /Sambo pra cachorro /Para ser sambista /Não precisa ser de morro." Ele aprendeu o samba nos núcleos de fundação do batuque paulista, como o extinto Largo da Banana, na Barra Funda, e nas festas do município de Pirapora do Bom Jesus, que transformaram uma procissão religiosa em uma manifestação profana, com as pessoas dançando e cantando pela madrugada. "Filme representava um lado mais genuíno do samba paulista, enquanto o Adoniran Barbosa era mais pitoresco e Paulo Vanzolini, mais técnico", observa Coelho. Geraldo filme só gravou seu primeiro disco individual em 1980, quando estava como 52 anos, pelo selo Eldorado. Detalhes que podem ser vistos no documentário Geraldo Filme - Crioulo Cantando Samba Era Coisa Feia, dirigido por Carlos Cortez em 1997 e que será apresentado no sábado e na segunda, às 15 horas, no auditório do Sesc.O público poderá participar também das rodas de samba que ocorrem nesta sexta, na área de convivência, com o Grupo Nó na Madeira e a cantora Paula Sanches. E, para as crianças, está programada a peça Lúdico Samba, com a Cia. Bonecos Urbanos, que apresenta o boneco Buzun contando histórias, cantando sambas e interagindo com a molecada. Serviço - Geraldo Filme - Carnaval e Tradição. Sesc Ipiranga. R. Bom Pastor, 822, Ipiranga, 3340-2000 Musical: Da Senzala à Favela. Sexta-feira(4) e sábado, às 21h. R$ 3 a R$ 12 Exposição: O Percurso de Um Sambista. 9h/21h (sáb. dom. e fer., até 17h; fecha 2.ª). Até 20/2. Grátis Bate-papo Digital. Amanhã(3), das 19h30 às 21h. Grátis. Participações de Oswaldinho da Cuíca, Fabiana Cozza e Heron Coelho. Inscrições pelo ipinternetlivre@hotmail.com Roda de Samba: De Geraldo a Outros Bambas. Com o Grupo Nó na Madeira e a cantora Paula Sanches. Sexta-feira(4), 19h. Grátis Intervenções Musicais: Samba Paulistano - O Rural e o Urbano. Sáb.(5) e 2.ª(7), às 16h30; Dos Entrudos aos Carnavais de Rua. Dom.(6) e 3.ª(8). Sempre às 16h30. Grátis Documentário: Geraldo Filme. Sábado(5) e 2.ª(7), às 15h. Grátis Peça Infantil: Lúdico Samba. Dom.(6) e 3.ª(8), às 15h. Grátis

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