Guilherme Burgos/AE
Guilherme Burgos/AE

Mostra Internacional de Música em Olinda tem abertura com grande público

Oitava edição da 'Mimo' recebeu concertos nacionais e internacionais, em Olinda e Recife

Lucas Nobile,

08 de setembro de 2011 | 15h17

A etapa de concertos da oitava edição da Mostra Internacional de Música em Olinda, a Mimo, teve início anteontem com apresentações de Delia Fischer, Parahyba Art Ensemble Guinga e Orquestra Sinfônica do Recife, Trio 3-63 e Ballaké Sissoko e Vicent Segal.

 

Logo de cara, o festival deu todas as provas de que não funciona apenas no papel. A curadoria extremamente cuidadosa e competente de Lu Araújo e André Oliveira, que assinam a direção artística, buscando o equilíbrio entre erudito e popular, afirmou-se na prática, com concertos arrebatadores.

 

As cidades de Olinda e Recife, famosas por seu agito em épocas de carnavais regados a frevo e maracatu, apresentaram um público absolutamente educado e interessado em desfrutar dos concertos.

 

Uma postura diametralmente oposta à observada em diversos festivais de São Paulo, por exemplo, que preferem cobrar R$ 200 por noite por apresentações dispensáveis e receber pessoas dispostas apenas a desfilar, verem e serem vistas.

 

Em Olinda, os trabalhos foram iniciados com os concertos de Delia Fischer, Parahyba Art Ensemble e o Trio 3-63, capitaneado pela flautista Andrea Ernest Dias, uma das sumidades do País em relação à obra de Moacir Santos (1926-2006), apresentando inclusive temas inéditos do compositor, maestro e instrumentista. E ela não foi a única a reverenciar o talento de Moacir. Hoje, é a vez dos paulistanos do Projeto Coisa Fina desfilarem as "coisas" irretocáveis do pernambucano.

 

 

A primeira noite de concertos em Olinda foi encerrada com uma atração internacional: o show de Ballakê Sissoko, do Mali, com Vicent Segal, da França. A apresentação, prevista para ter início às 20h30, começou com cerca de 40 minutos de atraso. O concerto cativou tanto a plateia do interior da Igreja da Sé quanto quem estava de fora, acompanhando pelo telão. O show ainda contou com a luxuosa participação de Naná Vasconcelos, exalando toda sua musicalidade no berimbau.

 

A travessia de Olinda a Recife culminou com o maior destaque da primeira noite com o concerto de Guinga com a Orquestra Sinfônica do Recife, no Parque Dona Lindu, projetado por Oscar Niemeyer. É uma questão de respeito: em casa erguida por gênio, nada melhor que receber outro.

 

Ainda na primeira parte do concerto, Guinga se emocionou pelo fato de tocar em Recife para um público estimado em mais de 3 mil pessoas, segundo a organização, com famílias e crianças brincando. "É uma honra tocar aqui no Recife, eu que sou descendente de nordestinos. Ainda mais para tanta gente assim. Meu público recorde costuma ser de 200 pessoas", exagerou.

 

Mesmo com o pouco tempo de ensaio com a sinfônica local, o show funcionou perfeitamente, com arranjos bem feitos e que somaram aos temas inventivos de Guinga. Acompanhado de seus amigos de longa estrada, Paulo Sérgio Santos (clarinete), Lula Galvão (violão) e Jessé Sadoc (trompete), o compositor deu provas novamente de ser o maior surgido no País nos últimos 20 anos.

 

O concerto teve em seu repertório temas de Guinga como Abluesado, Canção Desnecessária, Sete Estrelas, Iara, Rasgando Seda, Senhorinha e o frevo Vô Alfredo.

 

Com um show de pouco mais de uma hora, encerrado com ovação da plateia, Guinga comprovou as intenções da Mimo de fazer um pêrndulo entre erudito e popular. Nascido no subúrbio do Rio, em Madureira, mas com uma obra completamente autodidata e intuitiva - com estágio na "Suburbone", como ele mesmo define brincando -, Guinga revelou-se mais uma vez Simples e Absurdo, como o título de seu primeiro disco, de 1991.

 

Programação. Ainda ontem, estavam marcadas para ocorrer apresentações de Arthur Verocai (com Carlos Dafé e Projeto Coisa Fina), Arrigo Barnabé, Azymuth e Gotan Project. Hoje, destaque para Alex Tassel, Daniel Gortler, Sonoris Fábrica e, novamente, Ballakê Sissoko e Vicent Segal, desta vez em João Pessoa.

 

O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA PRODUÇÃO DA MIMO

 

 

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