Yoan Valat/EFE
Yoan Valat/EFE

Mostra em Paris homenageia centenário do nascimento da cantora Edith Piaf

Exposição foi criada com itens doados pela secretária da francesa

EFE, O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2015 | 15h03

PARIS - No centenário do nascimento de Edith Piaf, a Biblioteca Nacional da França (BnF) em Paris convida o público a conferir o baú de lembranças da grande diva que viveu entre miséria, boêmia e aplausos.

A mostra Piaf tem documentos originais que moldam uma vida cheia de lendas que a própria artista uniu à sua biografia para engrandecer o mito da menina com voz poderosa e corpo pequeno (1,47 metros) que colocava em cada nota a tragédia de sua existência.

"Ela era ciente que sua vida pessoal fazia parte do espetáculo e que o público precisava de contos de fadas", explicou nesta segunda-feira à Agência Efe Joël Huthwohl, curador da exposição que pode ser visitada até o próximo 23 de agosto e que reúne 400 artigos e curiosidades que remetem a uma vida sórdida e jovial.

A mostra foi feita a partir dos arquivos doados por Danielle Bonel, inseparável secretária de Piaf. Aos móveis e utensílios da confidente se juntam partituras, manuscritos, fotos e gravações inéditas que culminam no Oscar e no César que Marion Cotillard ganhou em 2008 por dar vida à cantora em Piaf - Um Hino ao Amor, de Olivier Dahan.

Edith Giovanna Gassion nasceu em Paris no dia 19 de dezembro de 1915, filha de um acrobata e de uma cantora que deu à luz na rua, em frente ao número 72 da rua de Belleville, onde uma placa comemorativa marca o início da lenda.

Essa é a situação que ela relatava, sem dizer que, na realidade, veio ao mundo no hospital Thenôn de Paris, como prova sua certidão de nascimento.

Sobreviveu a uma infância de miséria e doença entre prostíbulos e circos ambulantes, até que aos 14 anos deixou o pai para tentar ganhar a vida cantando nos obscuros cabarés de Pigalle. Na adolescência, teve a única filha, Marcelle, que morreu aos dois anos e meio devido a uma meningite.

Aos 20 anos, o empresário Louis Leplée a descobriu na rua e a atribuiu o sobrenome de La Môme Piaf. Com ele, gravou seu primeiro disco, Les Mômes da cloche, com o qual experimentou um pouco do sucesso, até que seu mentor foi assassinado e voltou a ficar sozinha.

Edith estava à beira do caos quando conheceu o compositor Raymond Asso, seu novo mentor e amante, e a pianista Marguerite Monnot, que a acompanharia durante toda a carreira e faria partituras de músicas como Mon légionnaire e Milord. A delicada e profunda Edith Piaf se tornou imediatamente em uma estrela.

Sem muitos méritos, segundo o curador, após a Segunda Guerra Mundial chegou a se transformar em um símbolo da libertação para uma França que precisava voltar a acreditar em si mesma. Nessa época, gravou La Vie en Rose, a grande canção de sua vida.

Dois anos depois, começou conquistar Nova York e se apaixonou pelo boxeador Marcel Cerdan, que morreu um ano depois em um acidente de avião, o que levou Piaf ao vício da morfina. Para o pugilista, a cantora escreveu Hymne à l'amour.

A exposição lembra como, nos anos 50, Edith Piaf se casou com o cantor Jacques Pills, fez turnê com Charles Aznavour e amou Georges Moustaki, enquanto tentava se desvencilhar dos vícios. Sua vida começou a se apagar em 1960, quando se afastou dos holofotes por recomendação médica.

Mas Piaf, que afirmava preferir morrer a deixar de cantar, retornou em 1961 para se apresentar no lendário teatro Olympia, de Paris, com um concerto no qual estreou Je ne regrette rien (Não me arrependo de nada) com amigos como Alain Delon, Paul Newman, George Brassens, Duke Ellington e Jean-Paul Belmondo na plateia.

"Arrancou o meu coração", disse Louis Armstrong sobre a inesquecível interpretação na qual Edith Piaf, com pele pálida e um decotado vestido preto, remeteu a seu passado de álcool, romances e morfina.

Pouco depois, se casou com o cantor Théo Sarapo, 20 anos mais jovem, e no dia 10 de outubro de 1963, morreu em uma casa de campo na cidade de Grasse, aos 47 anos.

O corpo da cantora foi levado clandestinamente a Paris, onde no dia seguinte houve o anúncio que tinha morrido na capital francesa, atendendo os desejos de Piaf. Seguido por 500 mil fãs, segundo as notícias da época, seu caixão atravessou a capital francesa até chegar ao cemitério de Père-Lachaise, onde descansam seus restos.

Tudo o que sabemos sobre:
Edith PiafFrançaParis

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.