Mostra em Olinda recebe 120 mil pessoas em sua oitava edição

Cidade também recebeu oficinas, workshop e master classes de música

Lucas Nobile - O Estado de S.Paulo,

12 de setembro de 2011 | 18h11

OLINDA - A oitava edição da Mostra de Música Internacional em Olinda, a Mimo, terminou na noite deste domingo, 12, reunindo cerca de 120 mil pessoas ao longo do festival, segundo os organizadores do evento. Além dos concertos gratuitos realizados em Olinda, Recife e João Pessoa, as cidades também receberam oficinas, workshop e master classes de música com artistas de renome nacional e internacional, como Isaac Karabtchevsky, Philip Glass e Egberto Gismonti.

Outro ponto importante da Mimo foi a apresentação pelo segundo ano seguido de documentários com temática musical, exibidos em telões do lado externo das igrejas, que recebiam os concertos. Entre as produções na programação, destaque para Daquele Instante em Diante, sobre Itamar Assumpção, Sex Beatles Memorabilia, Clementina de Jesus: Rainha Quelé e Canções do Exílio: A Labareda Que Lambeu Tudo.

Pelo oitavo ano, a curadoria da Mimo, feita por Lu Araújo e André Oliveira, mostrou-se extremamente competente, equilibrando bem a programação entre erudito e popular, com compositores e instrumentistas de primeira linha. Isso ficou provado ontem, com as apresentações do Pagode Jazz Sardinha's Club, no Seminário de Olinda, e de André Mehmari e Hamilton de Holanda, na Igreja da Sé.

O Seminário, que aliás havia tido graves problemas de equalização e vazamentos sonoros na noite de quinta-feira, durante o show do trio Azymuth, ofereceu ontem (com créditos à eficiência dos técnicos de som do festival) condições para o grupo carioca apresentar temas próprios e de outros autores em um dos shows mais animados da mostra, com extrema qualidade dos instrumentistas do grupo.

A Mimo, que já havia apresentado concertos memoráveis desde o início desta edição teve seu ponto mais alto na noite de ontem, com um concerto antológico de André Mehmari (piano) e Hamilton de Holanda (bandolim). Com a Igreja da Sé lotada e grande público também do lado externo da construção, o duo apresentou temas de seu mais recente disco, Gismontipascoal, em homenagem a Egberto Gismonti e Hermeto Pascoal. No repertório, joias como São Jorge e Santo Antonio, de Hermeto, além de Sete Anéis, Frevo, Palhaço, Loro e A Fala da Paixão, de Egberto. Para se ter uma ideia do quão impactante foi a performance de Mehmari e Hamilton, até Philip Glass, que acompanhava o concerto em uma das primeiras fileiras na parte lateral do palco, deixou a igreja antes da metade da apresentação. Saiu de lá atônito com o que tinha ouvido.

Fazer o melhor show da Mimo não era tarefa das mais fáceis, levando-se em conta que esta edição já havia recebido concertos espetaculares de nomes como Guinga e a Orquestra Sinfônica do Recife; Egberto Gismonti, que tocou com seu filho, o violonista Alexandre Gismonti, e a violinista Ana de Oliveira; Ballaké Sissoko, do Mali, com Vincent Segal, da França, e participação de Naná Vasconcelos; Trio 3-63; Arthur Verocai com Carlos Dafé, Clarisse Grova e o Projeto Coisa Fina, que também tocou sozinha, no Mosteiro de São Bento, fazendo o melhor show desde a criação da big band. Com nomes desse gabarito se apresentando gratuitamente para o público, a Mimo provou em mais um ano ser um dos melhores festivais realizados no País.

O repórter viajou a convite da produção do festival

Tudo o que sabemos sobre:
OlindamostraMimo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.