Morte de Sargentelli surpreende amigos

A morte do sambista,apresentador de TV, produtor cultural e "mulatólogo" OswaldoSargentelli surpreendeu e emocionou amigos e admiradores. "Pelamaneira leve como encarava a vida, pensei que fosse passar dos100 anos", lamentou o pesquisador musical Ricardo Cravo Albim.O pesquisador foi um dos melhores amigos de Sargentelli e, dessaconvivência, se lembrou do vídeo inédito gravado por ambos, emcompanhia do animador cultural Albino Pinheiro, morto em junhode 1999. Segundo Albim, no trabalho, durante quatro horas,Sargentelli falou de sua vida, contando diversas histórias."Espero que agora editem essa fita. Foi feita uma semana antesde o Albino morrer. É uma relíquia, e Sargentelli gostou muitoda gravação, que foi dirigida pelo seu filho", contou Albim."Éramos três cariocas falando com bom humor da vida." O compositor Hermínio Bello de Carvalho lembrou do orgulho queSargentelli sentia por ser sobrinho do cantor Lamartine Babo -que já na década de 30 foi o pioneiro ao reverenciar as mulatasem suas marchinhas. De acordo com Carvalho, Sargentelli conheciatodo o repertório do tio e adorava cantá-lo.Foi na primeira casa de shows de Sargentelli, "O Bigode do MeuTio", em Vila Isabel, na zona norte do Rio, que o compositor eescritor Haroldo Costa o conheceu, na década de 60. Asdificuldades do início da carreira e os primeiros shows demulatas para poucas pessoas e, às vezes, só para os garçons,foram, para Costa, episódios marcantes. "A casa demorou a fazersucesso, mas ele não desistiu", disse Costa. "Sempre foiirreverente, alegre e atento à música brasileira. Muita gentefoi revelada e deve o sucesso ao Sargentelli."

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