Morte de Elvis abalou a mídia nos EUA

Os Estados Unidos relembram esta semana a perda de um de seus mais queridos ídolos. A notícia damorte de Elvis Presley, há 25 anos, gerou uma das maioresrepercussões da história americana. Para milhões de pessoas, anotícia foi mais traumática do que a do assassinato de John F.Kennedy, na década anterior - fato comprovado principalmentepelos números de vendas de jornais e revistas nas duas datas.Uma avalanche de flores foi despachada para a mansão deGraceland, a família recebeu condolências até do governo russo edois homens foram presos sob acusação de estar planejando umcomplô para roubar o corpo do ídolo. O episódio garantiu mesesde boas vendagens para veículos como o National Enquirer eum dos maiores vexames para a revista People, que preferiudar apenas uma nota sobre a morte de Elvis, por achar que opúblico já não tinha muito interesse no cantor.A movimentação que se desencadeou minutos depois que orei do rock foi encontrado caído em um dos banheiros de casa, em16 de agosto de 1977, foi impressionante. Para os jornalistasque foram enviados a Memphis, o trabalho foi equivalente ao deuma cobertura de guerra, já que todos os hotéis da cidade foramtomados e o clima de competição se instalou por toda a região. Adisputa por entrevistas com pessoas que conheciam Elvis foi umadas mais acirradas da história e até telefonistas dos hotéisforam "compradas" por veículos como o Enquirer, que enviou16 repórteres para o lugar, todos munidos de notas de US$ 100para ajudar na coleta de informações.A última foto tirada do cantor, na madrugada do dia 16,por um fã que estava na frente da casa, com uma câmeradescartável, foi comprada pelo tablóide por US$ 10 mil. OEnquirer também comprou os direitos de exclusividade parauma entrevista com a noiva de Elvis, Ginger Alden, e conseguiuconvencer um primo a tirar uma foto de Elvis no caixão, por umcachê de US$ 75 mil. A imagem, publicada na capa do jornal, fezcom que mais de 6,6 milhões de cópias desaparacessem dasprateleiras - a maior tiragem da história da publicação. O primocaiu no ostracismo dos Presley.A família fez tudo o que podia para manter a imprensalonge dos detalhes da causa da morte e principalmente do velório, mas a filha de John F.Kennedy, Caroline, fez o serviço sujo quetodos estavam esperando. Na época, ela estava trabalhando comoestagiária do jornal nova-iorquino Daily News e conseguiuentrar na casa para o velório - sem avisar os familiares de queela estava no local a trabalho. Ela acabou descrevendo emdetalhes o clima do velório em um artigo para a revistaRolling Stone. "Elvis estava inchado e não se parecia nadacom ele", disse, para desgosto da família.A People, que tinha como filosofia não veicularimagens de pessoas mortas em suas capas, mudou depois de perdera história mais importante da década. No aniversário de um anoda morte de Elvis, a revista fez um especial anunciado comdestaque e, três anos mais tarde, quando John Lennon foiassassinado, a notícia também foi parar na capa. Dois anosdepois, os canais de TV americanos passaram a explorar osmistérios em torno da causa da morte do músico, dedicando váriasedições de programas investigativos às suposições que não foramconfirmadas em 1977. Vinte e cinco anos depois, ainda é forte acorrente que acredita que Elvis não morreu.

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