JF Diorio/AE
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Morrissey encerra passagem pelo Brasil com show nostálgico em São Paulo

Ex-vocalista do The Smiths revive década de 80 e faz apresentação emocionante na capital paulista

João Paulo Carvalho – estadão.com.br,

12 de março de 2012 | 06h09

SÃO PAULO - Morrissey tem uma característica bastante peculiar. O ex-vocalista do The Smiths, que encerrou sua passagem pelo Brasil na noite deste domingo, 11, no Espaço das Américas, em São Paulo, consegue atrelar seus pensamentos incisivos e politizados a uma postura estritamente doce e elegante.

Nenhum artista da música pop atual é capaz de mesclar sentimentos antagônicos e projetá-los para o público de forma tão apaixonante e persuasiva. As letras de amor e protesto transformam-se em verdadeiros hinos da rebeldia mais pungente.

Seu estilo único e melancólico ecoa pelo mundo e crava que alguma coisa, de fato, não vai bem. No palco, entre uma dança e outra, ele faz críticas e, suavemente, com a melodia das canções, diz ao público que algo precisa ser feito.

Com um singelo "olá, São Paulo", Morrissey é ovacionado antes de abrir com First of the Gang to Die, do álbum solo You Are the Quarry (2004). A apresentação mantém o ritmo com as músicas You Have Killed Me, Black Cloud e Alma Matters.

Morrissey é incapaz de berrar, inclusive nos momentos de plena fúria. Assim como em sua performance no Rio de Janeiro na noite da última sexta-feira, 9, o britânico volta a fazer críticas à visita do príncipe Harry ao País.

"Vocês sabem que o herdeiro do trono inglês está no Brasil. Ele só está aqui para promover a família real. Ele quer o dinheiro de vocês e eu digo, não, não, não, por favor. Diga não às ditaduras", esbraveja, porém, sem aumentar o tom da aconchegante voz.

Os protestos, entretanto, não ficam restritos aos microfones. Os membros da banda usam camisetas vermelhas com a mensagem "ASSAD is Shit", lembrando de Bashar al-Assad, presidente da Síria.

Elegante, Morrissey dribla os próprios erros com muita tranquilidade. Ao deixar o microfone cair, o inglês esboça um sorriso sereno e puxa imediatamente a peça pelo gigantesco fio. Com um repertório mais direcionado à carreira solo, o músico repete as canções dos shows realizados em Belo Horizonte e Rio de Janeiro na última semana.

"Nós nos conhecemos há muito tempo. Sendo assim, aqui vai uma das antigas", sussurra antes de dar início a There Is A Light That Never Goes Out, um dos maiores clássicos dos Smiths.

Trocando de camisa quatro vezes, o vocalista segue com I'm Throwing My Arms Around Paris e as emblemáticas Please, please, please let me get what I want e How soon is now?.

 

De forma teatral e enrolado em uma bandeira do Brasil, Morrissey não perde a compostura e a serenidade. Uma lenda da música que encontrou a dose perfeita entre paixão, rebeldia e sutileza.

 

Repertório:

 

1- First of the gang to die

2- You have killed me

3- Black cloud

4- When last I spoke to Carol

5- Alma matters

6- Still ill

7- Everyday is like sunday

8- Speedway

9- You’re the one for me, fatty

10- I will see you in far off places

11- Meat is murder

12- Ouija board, ouija board

13- I know it’s over

14- Let me kIss you

15- There is a light that never goes out

16- I’m throwing my arms around Paris

17- Please, please, please let me get what I want

18- How soon is now?

19- One day goodbye will be farewell

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