Morre Reginaldo Rossi, o 'rei do brega'

Cantor estava em traramento de um câncer de pulmão

Monica Bernardes/ Recife, Especial para O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2013 | 12h11

Morreu,  aos 69 anos, o cantor e compositor pernambucano Reginaldo Rossi, um dos mais conhecidos artistas da música brega brasileira. A notícia foi divulgada na manhã desta sexta-feira (20). Autor de sucessos como Garçom, A Raposa e as Uvas, Em Plena Lua de Mel e Leviana, o artista estava internado desde o último dia 27 de novembro, no hospital Memorial São José, em Recife, quando foi diagnosticado com um câncer de pulmão. Os médicos iniciaram o tratamento, através de sessões de quimioterapia, mas a resposta do paciente não foi positiva.

Durante a internação, Rossi foi submetido a uma cirurgia para retirada de um nódulo na axila direita, posteriormente confirmado como câncer. Na sequência, passou por um procedimento chamado de toracocentese, para drenar líquido acumulado entre a pleura e o pulmão. A equipe médica que acompanhava o “Rei do Brega”, comandada pelo cirurgião Jorge Pinho Alves, lamentou o falecimento e destacou a “alegria e força” do paciente. “Ele sabia da gravidade de seu caso, mas não perdeu a alegria, o sorriso”, destacou o especialista.

Rossi faria 70 anos em fevereiro e mantinha uma intensa atividade. Suas últimas apresentações aconteceram nos dias 21 e 22 de novembro, em uma casa de espetáculos da capital pernambucana, quando apresentou músicas do seu mais recente álbum, Cabaret do Rossi.

Nascido no Recife, ele começou a carreira pelo rock e foi crooner em boates, mas foi no brega que se consagrou. Ele deixa esposa, com quem era casado há cerca de 30 anos, e dois filhos.

Logo após a notícia do falecimento, uma legião de fãs começou a chegar ao hospital onde o cantor estava internado. Entre eles o garçom Euclides Fausto, 55. “Reginaldo era muito mais que um cantor brega. Ele sentia a alma dos amantes e traduzia isso em suas canções. Era um poeta do amor, da vida noturna, da sedução. Estou aqui para prestar uma homenagem ao rei”, comentou, sem esconder o choro.

Amigo do rei há mais de 30 anos, o músico Lúcio Santos, lembrou da paixão do artista pelas “boas coisas da vida”. “Todo mundo sempre soube que ela era intenso demais. Bebeu muito, fumou muito, cantou, amor e dançou muito. Partiu, mas foi feliz e fez levou muita alegria para corações apaixonados e partidos”, destacou, ao chegar à unidade de saúde.

Antes de chegar aos palcos, Rossi trabalhou como professor de física e matemática. Chegou a cursar os primeiros períodos do curso de graduação em engenharia civil. Em 2010, chegou a tentar o ingresso na vida política, candidatando-se a uma vaga de deputado estadual pelo PDT, mas não foi eleito.

Ao longo da carreira, iniciada em 1964, ganhou 14 discos de ouro; dois discos de platina; um disco de platina duplo e um disco de diamante. Em 49 anos de estrada, lançou 21 LPs e dez CDs, com músicas cantadas em português, com pitadas de inglês e francês. 

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