Morre Pío Leiva, cantor do Buena Vista Social Club

Morreu de um ataque cardíaco, ontem a noite, o cantor cubano Pío Leiva, aos 88 anos. Leiva integrou os dois grupos mais destacados internacionalmente da música de seu País nos últimos anos: o Afro Cuban All Stars e o Buena Vista Social Club. Sua morte foi anunciada por sua filha. Pío era o intérprete preferido de Omara Portuondo, que o convidou para gravar com ela no seu mais recente álbum, Flor de Amor. No disco Duets (Warner Music, 2002), de Compay Segundo, Pío canta com seu mentor a canção La Juma de Ayer. A voz de Compay é a grave, a dele é a aguda, ardida, mil noites de Cuba Vieja em sua garganta. No filme Música Cubana, de German Kral (argentino naturalizado alemão), Pío atua como intérprete e ator de sua própria história. Tudo se inicia quando Pío pega um táxi e o motorista o convida para integrar uma banda de jovens músicos. Esse percurso serve para ilustrar a riqueza das formas musicais da ilha, e o grupo vai seguindo seu caminho até uma turnê pelo Japão. No filme, o velho Pío flerta com as garotas e nunca se separa do seu charuto, hábito indispensável a seduzir dois grandes vocalistas dessa geração, ele e seu amigo Compay. Entre uma baforada e outra, ele canta e é reverenciado pelos mais jovens. Conhecido em toda a ilha como "O Montunero de Cuba", Pío Leiva compôs alguns dos mais conhecidos clássicos da música cubana, como Yo no Soy Mentiroso, Nadie Baila como Yo e Cuando Ya No Me Quieras. Era muito popular. Nasceu em Morón, Cuba (há quem registre 1915, outros dão seu nascimento em 1918). Sua biografia oficial conta que, aos seis anos, ganhou um concurso de bongô. Fez sua estréia como cantor em 1932. Gravou mais de 25 discos desde o primeiro contrato com a gravadora RCA, em 1950. Também ficou conhecido como grande improvisador. Cantou nas bandas de Benny Moré, Bebo Valdes e Noro Morales, e integrou o grupo Compay y Sus Muchachos. Em 1997, com a trupe do Buena Vista Social Club, ele teve sua carreira revalorizada. O cineasta Wim Wenders chegou a pensar numa sequência, que se chamaria Sons of Buena Vista, focalizando dessa vez a história de Pío Leiva. Em 2001, pelo selo Pimienta, lançou Soneros de Verdad. Em 2005, saiu Pío Leiva y Los Mentirosos (Pimienta). Recentemente, a gravadora nacional Deckdisc lançou a coleção Hecho en Cuba, que traz canções de Pío, entre outros.

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