Morre o regente alemão Carlos Kleiber

Carlos Kleiber, compositor nascido na Alemanha e criado na Argentina, cujas raras apresentações nas principais salas de ópera do mundo foram sempre ocasiões muito disputadas, morreu na semana passada, informou hoje a Ópera do estado da Baviera. Kleiber tinha 74 anos e morreu na última terça-feira devido a uma doença de muitos anos e foi enterrado no sábado em Konjsica, Eslvênia, terra natal de sua mãe e de sua esposa, morta no ano passado.Conhecido tanto como um regente brilhante quanto como o "enfant terrible" da música clássica na Alemanha, o recluso Kleiber freqüentemente cancelava apresentações na última hora, faltava a entrevistas e se recusava a se ligar a uma única orquestra. Ele raramente gravava e não se apresentava em público há mais de cinco anos. A posição de Kleiber como maestro foi comparada à do falecido Arturo Toscanini. Suas gravações da quinta e da sétima sinfonias de Beethoven são consideradas obras-primas. A impulsividade de Kleiber era lendária. Certa vez ele saiu às pressas no meio de uma sessão de gravação, deixando apenas um bilhete de estava indo dar um passeio. Dizem que o falecido Herbert von Karajan uma vez comentou que Kleiber apenas regia quando a geladeira ficava vazia. Em 1995, ele aceitou participar de um evento da Audi. Mas sua excelente regência superava a personalidade difícil. Perfeccionista, Kleiber constantemente ensaiava e controlava o movimento de seus gestos, elevando a comunicação entre o regente e os músicos a uma arte superior. Kleiber nasceu em Berlim em 3 de julho de 1930 e era filho do famoso regente Erich Kleiber. Sua família fugiu da Alemanha nazista na década de 30 e ele foi criado na Argentina. Depois da guerra, ele estudou química na Suíça, mas seu amor pela música o levou a sua estréia como maestro em Potsdam, em 1954, quando esta cidade fazia parte da Alemanha Oriental. Em seguida, dirigiu orquestras na Alemanha Ocidental e na Suíça. Kleiber também dirigiu orquestas na Ópera de Viena, no Metropolitan de Nova York e no Scala de Milão. Apesar de sua fama internacional, sempre escolheu com muito critério suas apresentações e se mostrava renitente à gravação de seus concertos.

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